A ascensão dos influenciadores digitais é um dos fenômenos marcantes da comunicação contemporânea. Eles movimentam mercados, impulsionam marcas, criam tendências e influenciam decisões de consumo. Merecem reconhecimento pelo espaço que conquistaram. Mas é preciso dizer, sem rodeios: influenciadores não são jornalistas.
Confundir essas funções é tão absurdo quanto afirmar que um mestre de obras pode substituir um engenheiro ou um arquiteto. O mestre de obras é indispensável para transformar um projeto em realidade. Entretanto, a responsabilidade técnica pela segurança da construção pertence aos profissionais habilitados.
Na comunicação não é diferente. O influenciador é um agente de divulgação. Sua missão é dar visibilidade a produtos, serviços, marcas e causas, aproximando-se da promoção comercial. Em uma estratégia de comunicação, pode ser um parceiro das assessorias de imprensa e das agências de comunicação, dialogando com públicos específicos.
O jornalista exerce outra atividade. O jornalismo exige formação, técnica. Exige apuração rigorosa das informações, confronto de diferentes versões, contextualização dos fatos e respeito aos princípios éticos da profissão. Sem esses fundamentos, não há jornalismo; há apenas produção de conteúdo.
O número de seguidores nunca foi, nem será, certificado de credibilidade. Notícia não é medida por algoritmos ou curtidas.
Em tempos de fake news, tentar equiparar influenciadores a jornalistas representa um grave equívoco e um enorme desserviço à sociedade. Quanto maior o volume de informações circulando sem critérios, maior é a necessidade de profissionais preparados para verificar a veracidade dos fatos.
Contudo, há espaço para ambos, desde que se compreenda o papel de cada um. O influenciador comunica para persuadir e promover. O jornalista informa para que o cidadão possa compreender a realidade e exercer plenamente sua cidadania.