Há pelo menos dois anos, o Vale do Taquari vive em situação de prejuízo, esperança e necessidade de reconstrução. As enchentes, que se iniciaram em 2023, tiveram o ápice em maio passado, acarretando perdas colossais com a destruição de milhares de negócios, sonhos e vidas humanas. Foram momentos de comoção mundial. A recuperação, porém, se mostra lenta diante da hecatombe histórica no Rio Grande do Sul.
Em termos logísticos, os 36 municípios da região experimentam dias complicados. A ponte sobre o rio Taquari, na BR-386 entre Estrela e Lajeado, é um desafio à paciência de motoristas e pedestres. São interrupções nas 24 horas do dia, congestionamentos quilométricos e demoras em qualquer horário.
Poucos quilômetros dali, somente no dia 10, a nova ponte da RS-130, entre Lajeado e Arroio do Meio, foi entregue. O governo do Estado prometeu a obra para o Natal passado, depois para o final de março, mas só agora virou realidade, gerando revolta e indignação.
Essa ligação, entre a parte baixa e alta do Vale do Taquari, é vital para o desenvolvimento regional. Em especial para o desenvolvimento do turismo, segmento em franco aquecimento até a eclosão das cheias. O Cristo Protetor, um marco histórico para Encantado e toda a região, é símbolo de resiliência e capacidade da comunidade. Nenhum centavo de dinheiro público foi empregado. É resultado de ampla mobilização que congregou todos os segmentos do município, sem discriminação de partido ou ideologia.
Apesar da repercussão mundial da enchente devastadora, somente agora o governo federal lança dois projetos habitacionais na região. Serão menos de 200 casas. Felizmente, graças à iniciativa privada, clubes de serviço e vários setores das comunidades, inúmeras residências foram entregues.
A gente do Vale do Taquari traz, do berço germânico e italiano, a semente do trabalho, da determinação e da iniciativa. A população não faz protestos ruidosos ou organiza boicotes queimando pneus em rodovias. Prefere trabalhar, se unir para buscar soluções. Como aconteceu com a Ponte de Ferro entre Lajeado e Arroio do Meio. Arrastada pelas forças das águas do rio Forqueta, foi reconstruída em menos de um mês por um grupo de empresas locais. Graças a isso, o colapso não foi total.
Vale do Taquari: este é o Rio Grande que dá certo. Sem marketing, mas com muito trabalho e união.