Eduardo Leite anuncia sua renúncia ao cargo de governador. A decisão não surpreende. O ex-prefeito de Pelotas nunca soube disfarçar que a carreira política é a prioridade dele. Diversos analistas avaliam que o homem público ainda sonha em ser o candidato do PSDB na disputa pela presidência da República. Neste cenário, a ambição pessoal motivou a abdicação.
Eu avalio que existe outra razão mais consistente para Leite ter decidido deixar o cargo. Nos últimos meses, de acordo com a narrativa oficial, o Rio Grande Sul virou o jogo. Diversos indicadores melhoraram, segundo os tucanos, graças ao bom trabalho do governador demissionário. O problema é que os fatos teimam em contradizer a realidade fabricada em agências de propaganda. Os gaúchos começaram 2022 afetados por mais uma estiagem severa. A escassez de chuva é algo cíclico nesta região do país. Saber que um problema tem certa periodicidade deveria ter servido para Eduardo Leite se preparar com antecedência. Infelizmente, nada foi feito. Agricultores e prefeitos tiveram pouco ou nenhum auxílio do governo do Estado. Apenas a União tem se empenhado em minimizar os efeitos da seca prolongada.
Quando o debate sobre a venda da CEEE chegou à Assembleia Legislativa, entendi que privatizar era a melhor opção. Esperava, no entanto, que a compradora da estatal de energia tivesse a atuação rigorosamente fiscalizada pelo governo estadual. Não foi o que aconteceu. Na Região Metropolitana e em outras áreas do estado, pessoas ficaram 10 dias sem energia elétrica após um temporal. Até agora, pouco foi feito para punir a CEEE Equatorial e garantir que o problema não se repita.
O IPE Saúde foi a joia da coroa governamental gaúcha por muitos anos. Era um incentivo positivo para os servidores estaduais, que contavam com um plano de saúde barato e de boa qualidade. Apesar de Leite se jactar por fazer uma administração moderna, os gaúchos descobriram que a gestão tucana deixou a autarquia mergulhada em dívidas. Falha que pode deixar quase um milhão de pessoas sem atendimento médico. A verdade pouco comentada é que a renúncia é uma fuga disfarçada. Se seguisse no cargo, o político sabe que seria desmascarado. Até outubro deste ano, a maioria dos gaúchos já terá percebido que o Rio Grande do Sul só virou o jogo na propaganda oficial. No momento, já está evidente que o Eduardo Leite só foi competente em vender ilusões.
Deputado estadual*