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Os elos da cadeia produtiva

Por LUIZ HENRIQUE HARTMANN, presidente do Sindicato do Comércio Atacadista do Rio Grande do Sul

O mapa do Rio Grande do Sul é plural. Cada região carrega sua vocação — o agro da fronteira, a indústria metalmecânica da Serra, o complexo portuário do Litoral, entre outras tantas. Mas há um setor que atravessa todas essas geografias sem fazer barulho: o comércio atacadista, sustentado majoritariamente por pequenas e médias empresas que abastecem o Estado de ponta a ponta.

Nove em cada dez empresas do segmento são médias, pequenas ou microempresas. Não é um detalhe — é o traço que define a identidade do setor e explica por que ele consegue chegar aonde os grandes distribuidores não chegam: aos municípios do Interior, aos pequenos lojistas, às comunidades que dependem de uma logística capilarizada para ter acesso a bens essenciais.

O setor como um todo reúne 18 mil empresas e mais de 120 mil trabalhadores, respondendo por 5,6% do PIB gaúcho. Um ecossistema que opera como elo entre a grande indústria e o varejo local, movimentando alimentos, vestuário, medicamentos, materiais de construção — itens que integram a rotina diária de qualquer cidadão.

E, quando se fala em geração de emprego, o papel das médias e pequenas atacadistas vai além dos postos de trabalho que criam diretamente. Por estarem enraizadas nas comunidades onde operam, contratam localmente, circulam renda no próprio município e sustentam fornecedores e prestadores de serviço que grandes grupos não alcançam. Em muitas cidades do interior gaúcho, o atacadista de médio porte é o maior empregador local.

A resiliência desse setor é comprovada pelos números: mais de 60% das empresas têm mais de uma década de atividade. E a modernização acompanha essa longevidade — 86% já utilizam controle informatizado de vendas e estoques. Diante das mudanças trazidas pela Reforma Tributária, 62,9% das empresas já concluíram as adaptações necessárias para a nova conformidade fiscal, um índice que demonstra maturidade de gestão.

O comércio atacadista gaúcho não ocupa as manchetes, mas sustenta silenciosamente a economia do Estado. É o tipo de setor que só aparece quando falta — e que, enquanto funciona, mantém firme cada elo da cadeia produtiva que nos abastece todos os dias.