Quando somos crianças, e sonhar faz parte de uma das tarefas de ser jovem, é comum responder questionamentos de adultos, de nossas professoras e de desconhecidos interessados em saber o que pensam os pequenos sobre seu futuro. Já fomos super-heróis, jogador de futebol, frentista de posto de gasolina, policial, bombeiro, guarda de trânsito. Quem nunca, criança, viu o carro de sua família ser parado na estrada e ficou observando o que aquela “autoridade” fazia, vestia ou falava?
Estamos a poucas semanas de lembrar as consequências para a vida de milhares de gaúchos provocadas pelas intensas chuvas do final de abril e durante o mês de maio de 2024. Provavelmente, jamais esqueceremos. E entre as lembranças doloridas deste período há também o que se orgulhar: o trabalho de bombeiros e voluntários rotineiros e do momento, que foram responsáveis por resgatar a dignidade de vida para uma infinidade de famílias gaúchas.
Ser herói, na vida real, é colocar o outro acima de si mesmo. É se doar sem esperar aplausos. E essa é a missão diária dos bombeiros – voluntários ou militares, que têm o dia 2 de julho dedicado a eles. Muitos de nós reúnem histórias daqueles que dedicam seu tempo e preparo – e muitas vezes arriscam a própria vida – para proteger nossa comunidade. A força da água, os resgates, o medo estampado no rosto das pessoas e, em meio a tudo isso, a coragem de quem não hesitou em servir o próximo.
Naquela calamidade pública, com dramas vividos por famílias que viram suas casas inundadas ou perderam parentes e amigos, testemunhamos o verdadeiro significado da palavra “voluntário”. Eles não esperaram ordens nem mediram esforços. Estavam lá, protegendo vidas. É preciso reconhecer e valorizar o papel de ambos, bombeiros voluntários e militares.
Enquanto os voluntários, muitas vezes com poucos recursos, suprem a ausência do serviço do Estado em centenas de municípios, os militares cumprem com excelência seu dever respaldado pela estrutura estatal. Fortalecer essas duas frentes é essencial para garantir que ninguém fique desassistido. Atualmente, cerca de 300 municípios gaúchos seguem sem qualquer cobertura de bombeiros, sejam eles militares ou voluntários.
Para nós, gestores públicos, cabe a dura tarefa de encontrar soluções que valorizem estes abnegados servidores ou voluntários, minimizando os riscos para a população com obras que garantam a segurança contra desastres climáticos. Certamente, é pouco diante da intensidade da dedicação de nossos bombeiros concursados ou voluntários.