Demandas de associações de moradores que representam grande percentual das populações dos bairros não são de interesse individual, mas coletivo. Edificações de até sete andares já têm sido construídas em todos os bairros-jardim, residenciais, da Capital (Jardim Isabel, Pedra Redonda, Vila Conceição, Sétimo Céu, Vila Assunção, Chácara das Pedras, Três Figueiras), apesar de algumas autoridades insistirem que o limite é 9 metros de altura (três pavimentos) e que vai permanecer assim. Até junto ao Morro do Sabiá há projeto aprovado para três edifícios de habitação multifamiliar com sete andares cada. Onde foram parar os 9 metros? Onde está a segurança jurídica dos moradores que adquiriram imóveis em locais nos quais só poderiam ser construídas casas?
Na realidade a prefeitura reconhece que o limite de 9 metros não é respeitado, pois admite que nas Três Figueiras e Chácara das Pedras já há prédios de seis andares. Mas o regime do plano diretor é o mesmo nestes dois bairros e na zona Sul: limite de 9 metros de altura. Então como pode afirmar que na zona sul vai ser mantido o padrão atual de três andares, se ele não é respeitado nem lá nem acolá?
Utilizando brechas do Plano Diretor, que serão ampliadas em larga escala na nova legislação, os 9 metros são uma quimera, assim como muitos dos usos que a população imagina que não seriam permitidos. Os pequenos comércios nunca foram proibidos, nem seriam com emendas que visam preservar os bairros-jardim. Os únicos bairros “congelados” em Porto Alegre são os condomínios horizontais privados.
Se a cidade tem centenas de praças é porque elas foram espontaneamente implantadas nos bairros-jardim por seus empreendedores de então e posteriormente porque legislações passaram a obrigar que assim fosse. Mas não devido a “transformações urbanas em bairros residenciais ao longo dos anos”. Eles já nasceram com suas praças.
A infraestrutura urbana dos bairros-jardim, residenciais, não suporta densificação. Terão que ser refeitas as bases das ruas, suas pavimentações, as redes de água e esgotos e muito mais. Como já ocorreu em outros bairros que foram densificados. Uma conta para toda a cidade pagar.
Considerando que a população da cidade não está aumentando, quem vai densificar os bairros como a prefeitura pretende? Ora, a população do Centro e de outros bairros, ocasionando novo problema de esvaziamento de zonas consolidadas, novos planos de “revitalização” que não vão para a frente, etc. Densificar os bairros-jardim, residenciais, é contrário aos objetivos do novo Plano Diretor, que diz pretender revitalizar o Centro e o Quarto Distrito.