Neste 17 de dezembro, celebramos o Dia do Pampa, um bioma que no Brasil só se encontra no RS. Com vastas pastagens nativas, ele coevoluiu com a pecuária e é símbolo da identidade gaúcha, com imensa importância ecológica, social e cultural. No entanto, ele está desaparecendo. Resta menos de 40% de sua área original. A data é uma referência direta ao nascimento de José Lutzenberger.
O Pampa é composto basicamente por pastagens e, desde a pré-história, abrigou grandes herbívoros. Com algumas formações florestais, constitui, junto às herbáceas, uma diversidade de mais de 3.000 espécies vegetais, sendo que, em apenas um m2 de campo, foram identificadas 57 espécies vegetais. Também é o lar de milhares de animais silvestres: veado, capivara, tatus, avestruz, perdiz, marreco, cobras, lagartos, jacarés, sapos, insetos variados e muitos outros.
Pelo pastoreio, os herbívoros viabilizam alimentos como carne e leite e produtos como couro e lã. Além disso, fertilizam o solo com seus dejetos, contribuindo para a absorção da água, o reabastecimento de aquíferos e a manutenção de um ecossistema que sustenta milhares de animais silvestres, incluindo polinizadores. Diferentemente de outros biomas, em que, para introduzir pastagens, é preciso desmatar, aqui a pastagem está pronta.
Estudos recentes, como o do MAPBiomas (2023), afirmam que o Pampa foi o bioma que mais perdeu sua vegetação nativa nos últimos 40 anos, especialmente para a soja e para a silvicultura. O uso de agrotóxicos também afeta negativamente a fauna e a flora e observa-se também um aumento na desertificação e arenização do solo. Apesar da grande e legítima preocupação com a destruição da Amazônia, do Pantanal e do Cerrado, muito pouco se fala sobre a destruição do Pampa.
Sobre as alegações de que o gado causa aquecimento global, é importante saber que o impacto da pecuária no ambiente depende do sistema de criação. É verdade que a digestão do gado libera metano, mas ele se decompõe em gás carbônico, que é reabsorvido pelas plantas por meio da fotossíntese, liberando oxigênio no ar e capturando o carbono para suas estruturas, no chamado ciclo do carbono, que ocorre há milênios no planeta. Por isso, gado criado em pastagens bem manejadas não contribui para o aquecimento global.
E como proteger nosso belo Pampa? A resposta está na valorização das pastagens nativas e na promoção da pecuária orgânica extensiva, que produz alimentos de alta qualidade nutricional, propicia a manutenção e a biodiversidade de flora e fauna, além de aportar inúmeros serviços ecossistêmicos, beleza paisagística e lastro cultural para as comunidades. Também é urgente a valorização das unidades de conservação, que se aliam bem à pecuária.
A compreensão de todos estes aspectos é tão importante que a ONU, por meio da FAO, declarou 2026 como o Ano Internacional das Pastagens e dos Criadores. O objetivo é conscientizar sobre a importância da pecuária ecológica com pastagens que mantêm biomas campestres, vida silvestre, clima regular e sustento de milhões de famílias em todo o mundo.