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‘Quando a mutuca incomoda, a cidade reage’

Por Sebastião Melo, prefeito de Porto Alegre

Diz o ditado popular do gaúcho: “Mutuca tira boi do mato”. É assim no campo e também na cidade. A mutuca incomoda, o boi reage e sai do mato. A analogia pode servir também para o poder público. Às vezes, é uma provocação ou um problema grave que nos obriga a agirmos rápido. Aquele incômodo necessário para que governo e sociedade reajam com firmeza.

Estamos enfrentando dois grandes desafios em nossa cidade, que é o furto e roubo de fios de cobre e o mau gerenciamento do cabeamento de telefonia e Internet nos postes da Capital. O primeiro é um problema crônico de cidades médias e grandes do país e não tem sido diferente em Porto Alegre. Aqui, no episódio mais recente, 85 mil pessoas ficaram sem água na torneira porque criminosos atacaram a Estação de Bombeamento de Água Tratada da Padre Cacique. O prejuízo não é só financeiro: afeta o abastecimento de água, a iluminação pública, a segurança no trânsito e o funcionamento de equipamentos de saúde e assistência indispensáveis.

Os números crescentes exigem atitude do poder público e dos órgãos de segurança: foram 1.412 furtos de fios só no primeiro semestre, o dobro em relação ao mesmo período do ano passado, o que supera todo o 2024. Não vamos cruzar os braços diante dos desalmados que atacam a cidade.

Construímos com os vereadores da base um projeto de lei para proibir o funcionamento de ferros-velhos, reforçamos o efetivo da Guarda Municipal, pedimos à Brigada Militar a intensificação das operações, assim como ocorreu no 4º Distrito. A nova lei federal 15.181 foi um acréscimo importante ao aumentar as penas para crimes de furto, roubo e receptação de cabos.

O segundo grande problema são os fios de operadoras de telefonia pendurados nos postes da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), estes, sem valor comercial algum, que não são levados pelos ladrões e sequer recolhidos pelas empresas. Entramos na Justiça para que as concessionárias de energia e telefonia limpem a fiação que suja a cidade, provoca acidentes e até incêndios. Com uma equipe caseira, estamos removendo o possível e vamos cobrar cada centavo gasto.

Seguiremos incansáveis no combate ao comércio ilegal que sustenta os crimes contra o patrimônio e cuidando da zeladoria, mas ninguém faz nada sozinho. A população pode ajudar a denunciar casos de irregularidades pelos telefones 118 (EPTC), 156 (Central do Cidadão) ou 153 (Guarda Municipal). Uma cidade melhor e mais segura se constrói com união e parceria.