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Quando a política externa afeta o dia a dia nas cidades

Por Rodrigo Busato, Vice-prefeito de Canoas (RS)

É preocupante ver como parte das lideranças políticas têm reagido de maneira polarizada e radical à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Enquanto um lado aplaude e tenta inflamar o debate, o outro acusa e busca capitalizar politicamente. O prazo para um posicionamento responsável está se esgotando, mas muitos continuam colocando disputas ideológicas e interesses pessoais acima das necessidades do povo.

Os reflexos desse tarifaço serão sentidos por todos. Mesmo o que parece benéfico à primeira vista pode esconder consequências graves. Produtos que dependem de componentes importados dos Estados Unidos vão encarecer, dificultando o acesso da população. Já itens da produção nacional que tendem a baixar de preço, como o café e a laranja, só custarão menos porque haverá menos compradores no mercado internacional. No fim, a cadeia produtiva sofre e milhares de empregos estarão em risco.

É triste pensar que enfrentamos um problema que talvez nem existisse se não fosse o embate entre egos políticos e posturas extremistas. Em qualquer governo, o compromisso deve ser com as pessoas. E, no nível municipal, isso significa cuidar dos serviços básicos, estimular o desenvolvimento local e buscar soluções concretas. Em Canoas, temos metas importantes a cumprir. Por isso, é lamentável que decisões distantes, movidas por interesses ideológicos, tragam impactos tão severos para a população nas cidades.

Diante da polarização que domina o debate nacional, é urgente dar espaço à moderação e à responsabilidade. Meu objetivo com este artigo é convidar à reflexão, com foco no que realmente importa: proteger a economia, preservar empregos e garantir qualidade de vida para as pessoas. Afinal, é nas cidades que a vida acontece e é aqui que os efeitos de decisões políticas serão sentidos de forma mais direta.

As prefeituras, por estarem mais próximas da realidade do cidadão, têm o dever de enxergar essa discussão com sensibilidade e responsabilidade. Mas esse olhar precisa estar presente em todas as esferas do poder. Colocar as pessoas acima de interesses ideológicos ou partidários não deveria ser uma exceção. É o mínimo esperado de quem foi ou pretende ser eleito para governar.