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Quanto vale uma vida?

Por PRISCILA ABREU, palestrante e paciente de doença rara

A judicialização da saúde coloca diante da sociedade um dos debates mais sensíveis do nosso tempo: como conciliar os limites dos sistemas de saúde com o acesso a tratamentos necessários à preservação da vida e da dignidade?

Nos tribunais, pedidos por medicamentos de alto custo evidenciam esse conflito. De um lado, estão critérios técnicos, jurídicos e orçamentários. De outro, existe um paciente para quem aquela decisão pode representar a possibilidade de controlar uma doença, recuperar qualidade de vida ou continuar vivendo.

A discussão é legítima e necessária. Recursos são finitos e políticas de saúde exigem responsabilidade. Mas o debate se torna incompleto quando o custo ocupa todo o espaço e a pessoa desaparece da análise.

A saúde é reconhecida pela Constituição Federal como direito de todos e dever do Estado. Transformar esse direito em realidade, especialmente diante de doenças graves ou raras, continua sendo um desafio que exige responsabilidade, critérios e sensibilidade.

Por trás de cada processo há uma história. Há famílias, vínculos, projetos e pessoas que aguardam uma resposta enquanto o tempo também produz consequências.

“Quanto vale uma vida?” não pretende oferecer uma resposta matemática. A pergunta existe justamente porque há valores que não podem ser integralmente traduzidos em números.

Uma sociedade que busca justiça precisa ser capaz de discutir sustentabilidade sem perder a humanidade. Garantir saúde exige escolhas difíceis, mas nenhuma delas deveria esquecer a dignidade de quem espera por cuidado.