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Reconstrução do RS passa pela energia

Por Frederico Behrends, diretor de transmissão do Sindienergia-RS

A calamidade pública ocorrida no Rio Grande do Sul em maio de 2024 reforçou a necessidade da atenção especial à infraestrutura estratégica do nosso estado, sobretudo em relação ao planejamento hidrográfico das bacias, à preservação das margens dos leitos dos rios e à construção de barragens para regulação de sua vazão. Recentemente, os governos estadual e municipal de Porto Alegre estiveram em missão ao exterior, vendo de perto soluções para prevenção e gestão de enchentes, todas relacionadas a esses temas. No entanto, um dos pontos a serem acrescidos na lista de atenção é a segurança energética, setor em que o Rio Grande do Sul demonstrou inequívoca fragilidade durante as enchentes.

As linhas de transmissão de energia que interligam o RS ao restante do país através do Sistema Integrado Nacional (SIN) devem passar por uma urgente revisão e reforço, com alternativas de fluxo. Essa ideia pode ser ilustrada com o fato de a subestação Nova Santa Rita, principal alimentação e centralização das linhas de transmissão do Estado, especialmente da Grande Porto Alegre, ter ficado completamente inundada na ocasião das cheias, sendo, inclusive, desligada preventivamente. Assim, todo o fluxo de energia para a região metropolitana foi redirecionado a uma única linha de transmissão de 500 kV para uma subestação localizada em Gravataí. Caso não tivesse ocorrido a inevitável parada da indústria na cidade, teríamos, além de tudo, um apagão na Capital e arredores.

É verdade que há mobilização do governo do Estado, via Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura, de entidades como o Sindienergia-RS, da academia e de diversos agentes do setor para a promoção de estudos de alternativas. Porém, torna-se extremamente necessária e urgente a conscientização, também por parte dos órgãos federais, sobre a importância da questão energética. Hoje, não há nenhuma previsão de execução, em curto prazo, de realizar, por exemplo, leilões de transmissão. Para termos um planejamento consistente para o RS, a garantia de que estaremos com energia segura e com alternativas de fluxo para conexão ao SIN deverá ser quesito prioritário quando se fala em reconstrução, expansão e desenvolvimento.