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Representar é resistir: o que aprendemos em tempos difíceis

Por RAFAEL KORMAN, vice-presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul (FIRS)

Representar uma comunidade nunca foi uma tarefa simples. Mas há momentos em que esse papel se torna ainda mais desafiador e, ao mesmo tempo, mais necessário.

Vivemos tempos em que o diálogo parece mais difícil, as tensões se intensificam e o espaço público se torna, muitas vezes, um ambiente de ruído e polarização. Nesses contextos, representar deixa de ser apenas uma função institucional e passa a ser um exercício constante de responsabilidade, equilíbrio e coragem.

Ao longo dos 65 anos da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, aprendemos que a representação vai muito além de dar voz. Ela exige escuta. Exige compreender a diversidade dentro da própria comunidade e, ao mesmo tempo, saber se posicionar com clareza diante da sociedade.

Aprendemos também que, em momentos difíceis, a firmeza precisa caminhar junto com a serenidade. É preciso defender valores e princípios sem abrir mão do diálogo. É preciso reagir quando necessário, mas sem perder a capacidade de construir pontes.

Representar é, muitas vezes, estar entre diferentes mundos. É dialogar com instituições, com o poder público, com outras religiões e com a sociedade civil, carregando consigo a responsabilidade de traduzir uma história, uma cultura e um conjunto de valores que não são individuais, são coletivos.

E talvez uma das maiores lições seja entender que a representação não se sustenta apenas em posicionamentos, mas em coerência. Em tempos de incerteza, as instituições são observadas não apenas pelo que dizem, mas pelo que fazem e pela forma como fazem.

A trajetória da comunidade judaica no Rio Grande do Sul nos ensina exatamente isso. Somos fruto de uma história construída com resiliência, organização e senso de pertencimento. E são esses elementos que continuam nos guiando.

Celebrar 65 anos da Firs não é apenas olhar para o que foi construído, mas reconhecer a responsabilidade de seguir representando com seriedade, sensibilidade e compromisso.

Porque, no fim, representar uma comunidade é, acima de tudo, cuidar dela, especialmente nos momentos em que isso mais importa.