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Resíduos que viram energia: uma ideia antiga que o Brasil ainda não colocou em prática

Por Luiz Henrique Hartmann, coordenador do Comitê Sinplast-RS de Reciclagem

A geração de energia a partir de resíduos sólidos não é uma novidade. O tema já figura em discussões técnicas e ambientais há décadas e, no Brasil, conta com espaços de debate como o Fórum Energiplast, que chega à sua 14ª edição em 2025. Isso mostra que o assunto não apenas persiste no tempo, como também se mostra relevante frente aos desafios contemporâneos de gestão de resíduos e transição energética. Ainda assim, é preciso reconhecer: essa alternativa, mesmo promissora, ainda não chega a ser uma realidade.

O aproveitamento energético de resíduos representa uma etapa complementar à reciclagem tradicional. Ele surge como solução para materiais que não têm viabilidade de reaproveitamento e que, de outro modo, seriam destinados a aterros sanitários. Tecnologias como a produção de Combustíveis Derivados de Resíduos (CDR) e a recuperação energética por meio da incineração controlada já são aplicadas em outros países, com ganhos ambientais e energéticos significativos. No Brasil, no entanto, iniciativas desse tipo ainda são pontuais e esbarram em fatores como lacunas regulatórias, custos de implantação e ausência de políticas públicas consistentes.

O Fórum Energiplast tem contribuído para manter o tema em pauta e divulgar experiências e soluções, mas isso não é suficiente para transformar realidade. A articulação entre governo, setor produtivo e sociedade é escassa para que o potencial da valorização energética dos resíduos deixe de ser apenas objeto de estudo e se torne prática corrente. O Brasil convive com índices ainda baixos de reciclagem e com sobrecarga dos aterros. A energia gerada a partir de resíduos não deve ser vista como uma alternativa exótica, mas como parte de uma estratégia moderna de gestão ambiental e energética. Isso é ignorar alternativas possíveis e reais, além de desperdiçar oportunidades econômicas e ambientais.

O desafio está posto: é hora de avançar da teoria para a prática.