Matéria publicada recentemente no Correio do Povo revelou que, desde março, 107 contêineres “verdes” instalados pela prefeitura de Porto Alegre foram incendiados. A substituição, que inclui um novo equipamento além da limpeza, custa ao bolso dos contribuintes cerca de R$ 20 mil. No total, em nove meses, o prejuízo soma R$ 2,14 milhões, apenas neste contexto da administração municipal.
Os números divulgados pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) chocam, mas não surpreendem. Basta andar pela cidade para constatar a importância da (falta de) educação na vida de todos nós. Pichações, vandalismo de todo tipo e sujeira, fruto do descaso da população, campeiam livremente pela capital gaúcha.
Nesta paisagem desoladora se inclui, ainda, a vergonhosa polêmica dos fios e cabos pendentes que poluem o visual da cidade mais arborizada do Brasil. Este é outro episódio vergonhoso em que a incúria de inúmeros agentes públicos e privados penaliza quem é onerado com pesados impostos, taxas e todo tipo de tributo.
O viaduto Otávio Rocha, símbolo histórico de Porto Alegre, passa por uma profunda reforma. A conclusão se transformou em novela mexicana que penaliza os pedestres, obrigados a transitar pelo trecho com risco de atropelamentos.
A prefeitura alega que somente em março irá retirar os tapumes que protegem o térreo do viaduto, onde se localizarão as novas lojas do complexo. As autoridades municipais alegam que a liberação da calçada acarretará na imediata pichação da fachada dos estabelecimentos comerciais, emporcalhando este monumento da história da cidade.
A polêmica tem como fulcro deste debate a total falta de conscientização acerca da preservação dos espaços públicos. No Rio Grande do Sul – e no Brasil em geral – existe a convicção equivocada de que “o que é público não é de ninguém”, quando, na verdade, é exatamente o contrário.
A educação, relevante apenas em períodos eleitorais, está no cerne do comportamento destrutivo de parcela da população que ignora as mais elementares normas de convivência social.