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SOS Engenharia: o futuro em risco

Por Cezar Henrique Ferreira, presidente do Sindicato dos Engenheiros no Rio Grande do Sul

A Engenharia é um dos pilares do desenvolvimento de qualquer nação. Entretanto, enfrentamos uma ameaça silenciosa e alarmante. A baixa procura por cursos de graduação, o aumento da evasão e a redução de formados são alertas sobre o futuro da profissão e, por consequência, sobre a capacidade de desenvolvimento do Brasil.

Tal realidade está associada a fatores como a deficiência no ensino básico, a percepção de graduações longas e complexas, a falta de atratividade e de realização profissional e a baixa remuneração. Entre 2014 e 2021, perdemos cerca de 150 mil matrículas em cursos de Engenharia. Na área civil, a redução no número de alunos é superior a 50%. Proporcionalmente, formamos quatro vezes menos engenheiros que EUA e Japão e metade do que China e Índia.

Recém-formados têm dificuldade de ingresso no mercado e muitos atuam em outras áreas em busca de melhor remuneração. A CNI estima um déficit de 75 mil engenheiros. O resultado é um perigoso impacto em setores estratégicos, como infraestrutura, tecnologia e até na soberania nacional.

É urgente uma ação integrada entre instituições de ensino, entidades profissionais e governos. Investir na educação básica é o primeiro passo. Em paralelo, é preciso valorizar a carreira, atualizar currículos, oferecer cursos presenciais de qualidade e apresentar as inúmeras possibilidades de atuação e seu impacto social positivo. Incentivos financeiros, mentorias e aproximação entre escolas e universidades podem despertar o interesse dos jovens.

O Senge-RS entende que a crise na formação de engenheiros não é apenas um problema educacional, é uma ameaça real ao futuro do país. Por isso, adotamos uma postura propositiva. Promovemos debates, campanhas de conscientização e parcerias. É urgente tratar a Engenharia como uma questão estratégica e ter um projeto de Estado. O Brasil precisa decidir: que futuro quer construir? Se a resposta for um país desenvolvido, justo e competitivo, a Engenharia precisa estar no centro dessa transformação.