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Talvez você não saiba que ainda dá tempo

Por Bruna Bier, mestra em Direito, advogada

“No Brasil é lícita a venda de cigarros convencionais. Então, por que proibir os cigarros eletrônicos?”

Talvez você não saiba que o potencial viciante dos vapes é bem maior. Talvez você não saiba que sua imensa variedade de cores e sabores tem atraído muitas crianças e que, por serem inodoros, fica bem mais difícil a fiscalização dos pais.

“Tudo bem, mas e se a regulamentação da comercialização desses dispositivos proibir sua fabricação com formatos tão atrativos?”

O problema é que absolutamente qualquer substância que seja possível vaporizar pode ser colocada dentro desses produtos.

“Tudo bem, mas e se a lei definir que apenas algumas substâncias específicas podem estar contidas ali?”

O problema é que não há como realizar a fiscalização necessária em relação às substâncias contidas nos vapes, porque não temos estrutura na Anvisa para tanto.

Além disso, os elementos indispensáveis para a produção daquela fumaça inodora dos vapes possuem alto potencial cancerígeno.

“Ah, mas o cigarro convencional também tem potencial cancerígeno.”

Acontece que os cigarros eletrônicos são tão perigosos que os especialistas identificam que as crianças e os adolescentes usuários de vapes já apresentam danos pulmonares irreversíveis semelhantes ao de um fumante convencional de 70 anos, mesmo com pouco tempo de uso.

Além disso, em algum momento, aqueles que nos antecederam permitiram que esses produtos fossem incorporados à nossa cultura e, quando vira cultura, fica muito difícil reverter. Mas, por enquanto, a cultura vaper sequer é prevalente no nosso país.

Pode parecer uma ótima ideia, economicamente falando, mas acho importante que você saiba que eventual arrecadação fiscal advinda da regulamentação dos cigarros eletrônicos não cobrirá os custos dos malefícios à saúde da população brasileira.

Apesar disso, provavelmente os cigarros eletrônicos serão legalizados. As justificativas serão os impostos e o combate ao contrabando. Mas, na verdade, tem muita gente lucrando com isso.

Antes que seja tarde demais, antes que a cultura vaper realmente prevaleça, é hora de compartilhar essas informações e, principalmente, fazer pressão naqueles que decidem.

“Porque eu me daria ao trabalho de tamanho esforço?”

Porque ainda dá tempo.