No início da noite de quarta-feira (19/6), em Caxias do Sul, o sargento Fabiano Oliveira, foi mais um policial militar que tombou no cumprimento do dever. Não imaginário do cidadão e de quase totalidade dos meios de comunicação, mais um embate do bem contra o mal, mais um brigadiano morto no cumprimento do seu dever. Por detrás dessa modesta interpretação, esconde-se uma guerra travada há anos, por todos os recantos do nosso país, guerra esta que deixa filhos sem pais, esposas sem maridos e pais sem filhos, por si só uma descoberta macabra, causadora de surtos depressivos e consideráveis suicídios.
Nessa luta diária desempenhada pelos policiais, civis ou militares, na árdua missão de defesa da sociedade, os policiais chegam acumulando sucessivas derrotas. O sistema legal vigente superprotege o infrator e, invariavelmente, fragiliza a atividade do policial.
No ano de 2023, segundo o Ministério da Justiça, cento e noventa e três (193) agentes policiais tombaram na execução de sua missão, isso representa média de dezesseis (16) policiais mortos em cada mês do ano. Aí cabe a pergunta que turva a visão e embarga a garganta: é uma atividade comum, como qualquer outra do serviço público, como tentar fazer crer a cada retirada de direitos dos policiais?
Nos últimos anos, aqui no RS, sucessivos governos têm se esmerado em desqualificar a atividade policial, diminuir a tensão e retirar os direitos dos policiais, o que, ao fim e ao cabo, reflete a pouca disposição de consideração e retribuir, com alguma justiça, uma atividade de alto risco e de fundamental importância, numa sociedade dita democrática. Os discursos vazios de conteúdo e de reconhecimento verdadeiros, exarados por nossos dirigentes políticos, a cada ocasião dessas trágicas efemérides, somente somatizam a revolta e escancaram o pouco caso com os policiais e suas famílias. Como disse o poeta Fabricio Carpinejar: “Há uma injustiça cobrindo a farda no lugar que merecia ser ocupado por medalhas”.
É essa injustiça, o tratamento igual para os desiguais, que nos inflama a alma e nos impulsiona na busca de um reconhecimento profissional justo e equânime, com o risco da própria vida, dos policiais na execução de sua missão constitucional.