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Um astronauta que caiu de paraquedas - Ciência sem Opinião

Por Daniel Bayer da Silva*

Lugar de astronauta, ou cosmonauta se você simpatiza com os russos, é no espaço, ou na Lua. Muitos diriam esta frase sem pestanejar. No entanto, esta seria apenas uma opinião...sim...apenas! Da mesma forma que o "eu acho" está dominando a vida cotidiana. "Eu acho que a minha opinião própria" está correta. Obviamente esta frase contém erros gramaticais grotescos, mas, na minha opinião, o maior problema dela é ela própria.

Opinião correta, lamento dizer, não existe na ciência.

O Ministro da Ciência e Tecnologia, o piloto-engenheiro e astronauta Marcos Cesar Pontes, participou de um  Congresso Internacional com proposta instigante: Uma Nova Pedagogia para a Sociedade Futura: Formação & Tecnologia Humana - A Educação do Futuro já começou.

O ministro  deve ou deveria saber disso, pois exemplificou muito bem, em sua apresentação motivacional: "impossível é apenas uma opinião", em sua primeira parte da palestra.

A Ciência e a Tecnologia são a base de todas as sociedades de alto IDH, ou Índice de Desenvolvimento Humano, como a Noruega, Suíça e Suécia. Lá a sociedade tem total percepção da importância dessas áreas, e mais do que isso, sabem o que significam.

No Brasil, de modo geral, quando ouvimos a palavra ciência, imaginamos os cientistas malucos, com tubos de ensaio, óculos "fundo de garrafa", desarrumados, descabelados e...mostrando a língua, simulando o grande Albert Einstein.

Da mesma forma, a palavra tecnologia é diretamente relacionada aos celulares, TVs, tudo em torno da eletricidade. Bom, não podemos excluir todas essas opiniões, mas estão longe de indicar o fato: elas estão incompletas e pobres.

Marcos Pontes não falou sobre ciência no Congresso, quando deveria. A Educação do Futuro necessita, urgentemente, de um caminho com pensamento científico. O que isto quer dizer?

As ciências, nas escolas públicas, e provavelmente na grande parte das particulares são passadas como qualquer outra disciplina, com base na "decoreba". Por exemplo, na biologia aprendemos os nomes dos grupos de seres vivos; na geografia passeamos pelos nomes dos principais rios do mundo; na física lidamos com as fórmulas essenciais; e na química vemos toda a tabela periódica. Entretanto, o ideal seria aprendermos com base em perguntas (hipóteses) e não nas respostas (conclusões). Se já temos nossas opiniões formadas, já possuímos a conclusão. Isto é desastroso na ciência. Precisamos de uma pergunta para, a partir daí, procurar formas e métodos de respondê-la. No caso da tecnologia, ela basicamente é a aplicação do conhecimento científico no cotidiano da sociedade, trazendo benefícios práticos em diversas áreas.

Agora me responda o leitor:  você aprendeu isto na escola? Se não, tá aí uma excelente pauta para eventos semelhantes ao citado neste texto.

O nosso Ministro astronauta não vive no “mundo da Lua” e tem uma árdua tarefa de recuperar a saúde da Ciência no Brasil. Instituições Federais estão pedindo socorro e estão com investimentos em declínio ao longo dos últimos anos. A segunda parte de sua palestra foi quase que inteiramente voltada para a questão tecnológica, com pontos muito pertinentes, mas infelizmente...Ministro...faltou falar da ciência.

O astronauta mostrou uma história inspiradora, onde foi capaz de passar pela Academia da Força Aérea (AFA), pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), na Naval Postgraduate School, pela NASA e pela reentrada na atmosfera da Terra.  Em 99% das vezes os astronautas caem de paraquedas no oceano, mas será que estão preparados para cair em mares tão revoltos como os da política brasileira?

* Doutor em Filosofia da Geologia