Celebramos neste domingo, ao mesmo tempo, o Dia dos Pais e o Dia do Advogado. São dois papéis que se complementam de maneiras únicas e profundas. O pai e o advogado ensinam e aprendem, um com o outro, constantemente, criando um ciclo virtuoso de crescimento pessoal e profissional. Para um advogado, o senso de justiça e de cumprimento das regras é parte da rotina. Nada mais paterno do que ajudar os filhos a entenderem que a liberdade é uma conquista condicionada à responsabilidades. Direitos e deveres são os alicerces da profissão que escolhi exercer e, da mesma forma, são os fundamentos da paternidade responsável.
Quando converso com meus três filhos em casa, muitas vezes ouço a mesma frase: “Lá vem o papai falando ‘advocacês’”, uma brincadeira que reflete, para minha alegria, a percepção dos valores arraigados na educação que recebi e que procuro transmitir a eles.
Encorajo meus filhos a questionar, a buscar o “porquê” por trás das regras. “Quer alguma coisa, meu filho? Explica por quê”. E, se alguém, incluindo eu, diz “não”, incentivo a perguntarem: “Por que não?”. O exercício de argumentação não é apenas retórico, mas sim uma construção de afeto, de respeito à liberdade e de proteção contra qualquer forma de opressão e tirania. Essa prática os prepara para um mundo onde a capacidade de argumentar e de pensar criticamente é essencial. Ser pai também me ensina lições valiosas para o exercício da advocacia. A busca da paciência e da escuta ativa são fundamentais para entender as necessidades e desejos de meus filhos, qualidades igualmente importantes ao lidar com clientes e colegas.
Portanto, neste dia especial, celebro a interseção desses dois mundos inseparáveis. Ser pai e ser advogado são partes integrantes de uma mesma identidade, que se expressa, em grande parte, na capacidade de decidir. Como advogados, precisamos analisar cuidadosamente os fatos e considerar as consequências de cada escolha. Na paternidade, essa mesma habilidade é aplicada quando guiamos nossos filhos através das complexidades da vida.
Neste domingo, celebramos não apenas o Dia dos Pais e o Dia do Advogado, mas também a oportunidade de crescer e de aprender em ambas as dimensões. Ser pai me torna um advogado mais empático e compreensivo. Ser advogado me ajuda a ser um pai que educa com justiça e equidade. É uma via de mão dupla em que cada papel enriquece o outro.
Assim, a vida nos ensina, no escritório, nos tribunais ou em casa, que estamos sempre aprendendo e ensinando, construindo um legado de valores e princípios que guiarão as futuras gerações. A interação constante entre esses dois papéis cria uma sinergia poderosa que fortalece tanto a família quanto a comunidade jurídica. Parabéns aos pais, aos advogados e, acima de tudo, ao que eles representam. Segurança e afeto podem ser, sim, uma coisa só.