“L’histoire c’est la mémoire!” foi a frase final do encontro mundial de historiadores realizado na França, em 1989, nas comemorações dos duzentos anos da Revolução Francesa. E se a história é a memória, mantê-la intacta através do tempo é essencial para não repetirmos erros e celebrarmos acertos.
Nesses 190 anos da Revolução Farroupilha (1835 –1845), há um episódio que merece melhor lugar na História, que foi a instalação, no dia 20 de abril de 1835, da Assembleia Legislativa Provincial do Rio Grande do Sul, precursora da Assembleia Legislativa. Importante que se acentue: uma data tão importante como o 20 de setembro de 1835, que assinala o início da revolução, propriamente.
Basta que observemos o fato de que alguns dos maiores líderes da revolução, que veio a dar ao Brasil sua república mais duradoura antes de 1889, foram eleitos deputados provinciais para a nossa primeira legislatura, como Bento Gonçalves da Silva, presidente da República Rio-Grandense; Domingos José de Almeida, ministro da Fazenda; Padre Francisco das Chagas, vigário apostólico, que, em 1842, foi o mais votado dos deputados constituintes.
Algumas pessoas menos instruídas em questões históricas consideram perdedores os farroupilhas de 20 de abril e de 20 de setembro de 1835. Perdedores seriam se vivêssemos hoje em um império. Mas vivemos em uma República Federativa, sonho do deputado e coronel Bento Gonçalves e seus seguidores.
Se a República Rio-Grandense, que nasceu na nossa Casa Legislativa, ignorasse as demais províncias brasileiras e quisesse se manter isolada, por que os republicanos da Bahia, seguidores do doutor Sabino, libertaram Bento Gonçalves da Fortaleza do Mar e cuidaram para que voltasse ao Rio Grande do Sul e continuasse sua luta? A propósito, era em Viamão que Bento Gonçalves estava, em setembro de 1836, quando o general Antonio de Souza Netto proclamou a República Rio-grandense, nos campos do Seival, em Alegrete.
A resposta está na Constituição da República Rio-Grandense, votada e aprovada em Alegrete, no mês de dezembro de 1842, que deixa bem claro em um de seus artigos: “Nos uniremos com todas as províncias brasileiras que adotarem o sistema republicano, para formar a República Federativa do Brasil”.
Cientes de que “A História é a Memória”, os atuais legisladores da Assembleia Legislativa estão cumprindo com um dever de alta importância histórica no dia 30 próximo. A instalação de uma placa com os nomes dos 28 deputados eleitos para a primeira legislatura, iniciada há exatos 190 anos. Uma homenagem que antecede as comemorações de maior amplitude, as quais ocorrerão no bicentenário, daqui a dez anos, em 20 de abril e 20 de setembro de 2035.
Em uma perspectiva histórica, hoje, não só o Rio Grande do Sul deve comemorar as datas de 20 de abri e 20 de setembro de 1935, mas o Brasil como um todo, pois brasileiros somos acima de tudo.