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Um novo GHC para um SUS que não pode parar no tempo

Por JOÃO MOTTA, diretor administrativo e financeiro do GHC

Falar em saúde pública é falar em tempo. Tempo de espera, tempo de diagnóstico, tempo de resposta. Na prática, é o tempo que separa a vida da perda. Por isso, defender o Sistema Único de Saúde exige mais do que preservar estruturas: é garantir que acompanhe a ciência, a tecnologia e as necessidades reais da população. O SUS não pode parar no tempo — e o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) escolheu não parar.

Após um período em que o país viveu o atraso imposto pela negação da ciência, a saúde pública precisou correr para recuperar anos perdidos. No GHC, isso se traduz em decisões difíceis e investimentos ousados. Em 2024, foram destinados cerca de R$ 100 milhões para obras, reformas e aquisição de equipamentos, incluindo tecnologias como neuronavegador, tomógrafos, sistemas de videolaparoscopia, radiologia e anestesiologia. Ferramentas que ampliam a precisão e qualificam o cuidado, algo que, na saúde, não é luxo, é obrigação.

Em 2025, o movimento se intensificou. Inauguramos o Acelerador Linear no serviço de Radioterapia do Centro de Oncologia e Hematologia, que já tratou 750 pacientes. Também inauguramos a Braquiterapia, com investimento de R$ 2 milhões, para atendimento completo a pacientes com diagnóstico de câncer de colo de útero.

Cerca de R$ 18 milhões foram investidos em equipamentos, destacando a integração ao programa Agora Tem Especialistas, que implantou o terceiro turno (noturno) de cirurgias e transformou o sábado em dia útil. Para viabilizar essa ampliação, cerca de R$ 11 milhões foram aplicados em tecnologias como torres de vídeo com fluorescência, microscópios cirúrgicos oftalmológicos, exames de alta precisão para diagnóstico detalhado da retina, campímetros e monitores multiparamétricos. O resultado é mais acesso, menos filas e tratamentos feitos no tempo certo.

Esses investimentos mudam a vida das pessoas. Trabalhadores que antes não conseguiam se tratar durante a semana encontram atendimento. Pacientes do Interior percorrem centenas de quilômetros e retornam com diagnóstico e perspectiva. Tecnologias como cirurgia robótica, neuronavegação e equipamentos de alta complexidade, historicamente restritos ao setor privado, hoje fazem parte da rotina do SUS, algumas de forma inédita.

O Centro de Diagnóstico e Terapia, com investimento de R$ 230 milhões do PAC, e o Novo Complexo Hospitalar, dentro do Programa Hospitais Inteligentes do Ministério da Saúde, apontam para um GHC alinhado ao que há de mais avançado no mundo. O maior risco agora é a interrupção de tudo que avançamos nos últimos anos. Na saúde pública, retroceder custa caro demais porque custa vidas.

Preservar e aprofundar esse caminho é uma escolha coletiva. O Sistema Único de Saúde é um patrimônio da sociedade brasileira. Um SUS tecnológico e eficiente salva vidas e o GHC faz parte ativa desse futuro.