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Sempre acreditei que era importante seguir aprendendo. Um dos meus tios, que ainda jovem morava com meus avós, comprou um computador no início dos anos 2000 e eu o usava constantemente. Você deve imaginar, mas vou lembrar: tela de tubo, cor creme, o acesso à Internet discada e a ansiedade da conexão ao final de semana.

Acontece que, com a liberdade da Internet, minha navegação e o download de jogos frequentemente afetavam o computador com “vírus”, tornando impossível de seguir a utilizá-lo sem um reparo técnico. Nas primeiras vezes que isso ocorreu, meu avô aceitava levar o computador para consertar em uma assistência do amigo dele (lembro daquele senhor que, nas entrelinhas, certamente pensava: “Tão cedo, mais uma vez aqui, o que esse garoto fez agora?”).

Contudo, as idas foram se tornando mais frequentes e eu, portanto, já não tinha mais aquele “crédito” disponível com meu avô para consertá-lo.

E agora? Eu precisava achar alguma forma de ter o computador (e a amizade do meu tio) de volta. Mas será que eu não poderia aprender a “formatar” o computador? Pois bem: com 9 anos, Gabriel procurou um amigo do tio dele — um homem caricato, uma mistura de dom em software e hardware, além de dançarino de tango e outros ritmos pelo que recordo — que lhe ensinou o passo a passo dessa “magia”.

Meu problema estava resolvido: com uma licença daquele sistema operacional e meu conhecimento recém-adquirido, agora eu não precisaria mais pedir ao meu avô. Mas a história não termina aqui: os meus amigos e vizinhos souberam dessa “habilidade” e, então, eu me tornei a mais nova assistência de informática em domicílio.

Apesar de ter seguido um caminho distinto de sistemas e informática, a formação médica e especificamente a medicina interna, compartilha a necessidade do Gabriel de 20 anos atrás e traz uma mensagem nítida: precisamos nos aprimorar. Constantemente, enfrentamos novos desafios na nossa profissão, acolhemos pacientes com doenças múltiplas e complexas, pós-cuidados críticos, em cenários de hospitalização, no consultório, no domicílio e na telemedicina.

Esse contexto exige humildade para reconhecer que o conhecimento passa por uma evolução constante e que, no nosso caminho, somos aprendizes que procuram a serenidade de ter feito o melhor para quem necessitou do nosso cuidado.