Um olhar na hidrovia

Um olhar na hidrovia

Nascido na nossa Porto Alegre, morei até os 20, quando tomei rumo, no coração do Bairro Ipanema, em frente à praia.

Eduardo Battaglia Krause

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Nascido na nossa Porto Alegre, morei até os 20, quando tomei rumo, no coração do Bairro Ipanema, em frente à praia. Todos os dias, o pôr do sol, um dos mais bonitos do mundo, era um quadro pintado que me olhava e eu não olhava para ele. O Guaíba era um lugar agradável para os nossos barcos a vela, então de madeira, e os banhos no verão. Era muito pouco. Crescemos e o tempo nos mostrou que a produção que vai e volta na nossa hidrovia só pode dar no porto de Rio Grande, isto é, recurso para o caixa do Estado que não irá para outro Estado. Uma arrecadação nova, latente, à nossa espera. A consequência é a garantia de menos custo para quem precisa abastecer, produzir e escoar. Uma equação simples: quanto melhor a logística, menor o valor que chegará à ponta para os que consomem, nós, os cidadãos. 

O nosso Guaíba foi acordado pelos clubes náuticos, pela Arena e o Beira-Rio, pelo Embarcadero, pelo Pontal e pelas recentes obras dos últimos governos municipais, que abriram a cidade, da Usina do Gasômetro, costeando nossa orla num novo horizonte. Falta olharmos a hidrovia como uma nova fonte de riqueza. O Guaíba é abastecido pelos rios Jacuí, Taquari, Sinos, Gravataí e Cai. Adiante, encontra-se com a Lagoa dos Patos. No caminho, com o rio São Gonçalo, que, num percurso de 120 km, desova na Lagoa Mirim, que faz divisa com o nosso vizinho Uruguai.

Se considerarmos o que representa para a nossa economia, se usássemos mais a hidrovia que não precisa ser construída, pois está pronta, apenas ajustada aqui ou ali, inclusive, com as suas eclusas que há muito carecem de verdadeira manutenção, toda a carga acabaria no nosso Porto de Rio Grande.

Acresço, investimento que se justifica e se paga e pequenos pontos de dragagem, inexpressivos se considerarmos em torno de 700 km de rios navegáveis.

Na nossa Lagoa Mirim, trazer e levar produtos, bens..., ao Uruguai é desafio concreto que cada vez mais tem envolvido os governantes, não diferente nos rios que banham nosso Estado. Sem contar um novo cenário de portos privados que poderão se instalar na extensão do rio Jacuí, nos municípios de Estrela e Taquari e por aí adiante. Ganha a sociedade pública, produtora e consumidora. Devemos todos ter um olhar na hidrovia.


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895