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Um tiro no peito

Por Paulo Franquilin, jornalista e escritor

Nascido em Caxias do Sul, no ano de 1977, o sargento Fabiano teve uma infância tranquila, vivendo com seus pais e mais dois irmãos. Costumava jogar futebol na rua, com outras crianças, muitas filhas de policiais militares.

O pai, Odoni, era da Brigada Militar, como bombeiro, pois antigamente o Corpo de Bombeiros pertencia à instituição policial, e, desta forma, cresceu em Fabiano a vontade de ser brigadiano, pois admirava o trabalho do pai.

Aos vinte anos, em 1997, entrou para a Brigada Militar, com a vontade de proteger a sociedade, dedicando-se inteiramente à profissão policial ao longo de quase três décadas, pois ser policial era sua vocação.

Sua preferência musical ia do heavy metal à música clássica, era um torcedor apaixonado pelo Grêmio, pessoa culta, amava livros e, segundo relatos de familiares e amigos, estava sempre disposto a ajudar quem precisasse.

Dedicou 27 anos de sua vida para a Brigada Militar, sendo lembrado como um profissional que não faltava ao serviço, mesmo se estivesse doente, trabalhando na linha de frente, com relatos de excelente relação com a comunidade e colegas.

Suas características incluíam a persistência, levando a pleno sua missão de defender a comunidade, ajudar as outras pessoas e combater a criminalidade, o que fez até seu último dia de trabalho na Brigada Militar.

Um assalto a carro-forte, ocorrido no aeroporto Hugo Cantergiani, levou o sargento Fabiano até um confronto com criminosos, após uma intensa troca de tiros. Um desses tiros atingiu o sargento.

O forte impacto perfurou o colete balístico, pois o equipamento não segurou a munição de fuzil, entrou no peito, rasgou os pulmões, o coração, dilacerou a coluna e saiu nas costas, derrubando o sargento Fabiano.

Socorrido, não resistiu e sacrificou sua vida na defesa da sociedade, mas, infelizmente, será apenas mais um número, porque poucos serão os defensores dos direitos humanos do sargento Fabiano.