Foram semanas para que as águas recuassem e voltassem aos leitos dos rios. Dos seus 497 municípios, 450 foram atingidos pelas enchentes. Um verdadeiro dilúvio, sem precedentes na história de nosso Rio Grande.
Muitas pessoas perderam tudo, outras desapareceram, submersas pelas águas em fúria. Milhares necessitando acolhimento em abrigos provisórios. Muitos animais mortos, mais de 15 mil precisam de um lar e o governo gaúcho pensa em dar auxílio financeiro para quem adotar.
A cadeia produtiva também foi aniquilada, fato incomum na história do nosso Rio Grande, começando pela destruição de rodovias, quedas de pontes e deslizamentos de encostas. Malhas do sistema de transporte viário e de acessos entre municípios foram bloqueadas, deixando populações ilhadas e também privadas do consumo de água potável e de energia elétrica.
A destruição da lavoura gaúcha acabou com o sustento de milhares de famílias e com os negócios de grandes produtores. O desabastecimento é o que se vê nas prateleiras vazias dos mercados e nos preços dos alimentos, principalmente nas hortaliças e nos produtos hortifrutigranjeiros.
Nosso aeroporto internacional Salgado Filho ficará interditado por longos meses, trazendo prejuízos incalculáveis à economia e ao turismo gaúcho.
Com a impiedosa enchente paralisando serviços, comércios e indústrias, milhares de gaúchos perderam seus empregos, muitas empresas ainda estão fechadas e não retornarão às suas atividades.
Os dias foram passando e, quando tudo parece voltar ao normal, novas chuvas. As águas sobem rapidamente e a lama volta a tomar conta nas casas que ainda estavam úmidas depois da faxina. Mal deu tempo de restabelecer por completo o abastecimento de água potável, de recolher uma parte dos entulhos das ruas. As pessoas choram pela perda total, por ter sobrado tão pouco, e temem por passar por isso novamente.
O que estamos vendo é diferente e parece que se tornará recorrente. A antiga cultura de criar povoados ao lado de rios, arroios, riachos e em encostas, bem como de não criar diques ou casas de bombas ou de não fazer manutenção desses equipamentos, não persistirá após essa dura e triste lição.
Fica a pergunta: será sempre assim? Este é o novo normal para o clima no Rio Grande do Sul?