Os cafés das manhãs, no início da década de 60, tinham outro sabor depois que os gaúchos folheavam o Correio do Povo com seus encartes específicos e o formato original, que chegava cedinho na porta de suas casas. O país vivia efervescência e ansiava por boas notícias, tanto no setor público como no privado.
As redes sociais ainda não tinham chegado com força e, assim, a informação estava no rádio ou na imprensa. Com isenção, qualidade e inteligência, um grupo de economistas compunha a redação e a editoria de economia daquele matutino, emprestando conhecimento e credibilidade, dentre eles o jovem Guilherme Socias Villela, então integrante do quadro de carreira do BRDE.
Não ficou por aí! O guri de calças curtas que saiu de Uruguaiana e se aquerenciou em Porto Alegre fez carreira no setor público e foi um dos maiores prefeitos da nossa capital, deputado, secretário de Estado, dirigente de importantes organismos, fundador da primeira entidade reguladora do país, a Agergs, e, quando estava a merecer o justo prêmio da aposentadoria, aceitou o desafio de se tornar um dos mais votados vereadores de Porto Alegre, transitando à direita e à esquerda, respeitado naquela Casa Parlamentar pela urbanidade com que tratava a todos.
Neste longo espaço de tempo, manteve rotineira e criativa escrita no Correio do Povo e nos demais meios de comunicação. “O Pensamento de Guilherme Socias Villela e o olhar de um cronista” não é uma bibliografia, mas a visão que tinham dele e uma seleção de artigos densos, política, economia, filosofia, cotidiano, muitos publicados neste jornal. Terá sessão de autógrafos na próxima segunda-feira, no horário em que o pôr do sol se debruça no nosso Guaíba, no Centro Administrativo, que leva o nome dele, rara homenagem em vida.
Difícil escolher as palavras e criar interesse do leitor quando o autor do livro é o mesmo que assina este artigo. Todavia, a trajetória é de uma personalidade que marcou nossa cidade e foi um exemplo de homem público na acepção da palavra. Quando a retidão, o caráter, a probidade e a ética "hoje andam pouco encontradiças", expressão usual dele, “O Pensamento de Guilherme Socias Villela e o olhar de um cronista” é um livro pra pensar.