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Volta às aulas sem celular

Por Daiçon Maciel da Silva, engenheiro civil, ex-prefeito de Santo Antônio da Patrulha

Boa parte dos estudantes brasileiros retornou às aulas. Mas, em 2025, uma novidade, que desagradou a muitos alunos, os esperava no primeiro dia de aula: a proibição do celular no ambiente escolar.

A novidade foi anunciada ainda no mês de janeiro. O deputado gaúcho Alceu Moreira (MDB) é o autor da lei, sancionada pelo presidente Lula, que prevê a proibição no ambiente da sala de aula e também no recreio, com exceção para fins pedagógicos. A nova lei, é claro, gerou polêmica, mas, na balança, parece que está pesando mais os favoráveis, quando nos referimos aos pais, o que é fácil de entender.

Mas professores, pediatras, psicopedagogos, por exemplo, também afirmam que é uma grande conquista para a educação brasileira. Afinal, os celulares têm sido motivo de distração, falta de aprendizado e de socialização. Pobres professores, como competir com smartphones que mostram tudo que o jovem quer ver na palma da sua mão?

Por outro lado, penso que esta lei nem deveria existir, se famílias e estudantes tivessem consciência da importância do ensino.

Sou do tempo em que estudar fora de casa era difícil. Eu e outros dois irmãos fazíamos um trecho de 1,5 km a pé e outro de ônibus para chegar à escola distante 6 km. Com sorte, um tempo depois, trocamos a caminhada pelo lombo de um cavalo manco, que, por muitas vezes, nos fez voltar o caminho chorando, sem nem chegar ao destino. Em dias de chuva, num dos seus trancos, o amável cavalo nos derrubava no barro.

Também, não havia a oferta de merenda. Tínhamos que levar de casa e o professor era nosso "ídolo" ou nosso “terror”, de acordo com seu temperamento. De um jeito ou de outro, ninguém ousava desrespeitá-lo. Os tempos evoluíram e reconhecemos que a tecnologia é importante na educação e, seja pública ou privada, não pode mais fugir deste caminho. A gestão pública está avançando neste sentido, com a instalação de Internet nas escolas, laboratórios de informática e a atualização dos conteúdos por processos modernos.

Como ex-aluno, avô, com netos em idade escolar, e pela experiência que tive como professor, espero que a lei seja cumprida, que as famílias colaborem e que os alunos valorizem a educação.