Há poucos dias, a corrida eleitoral registrou um novo capítulo a partir da entrada no ar da propaganda eleitoral na grade de programação das emissoras de rádio e televisão. Este é considerado um “produto maldito”, cercado de grande polêmica a partir de debates acalorados sobre a necessidade deste tipo de “publicidade”. É importante ressaltar que a propaganda eleitoral é integralmente bancada pelo dinheiro do contribuinte, ou seja, fruto dos nossos impostos. A polêmica se estabelece a partir de opiniões a favor e contrárias, numa radicalização que se tornou rotina no Brasil, com ênfase a partir de 2018. Quem vocifera contra o horário eleitoral afirma que a péssima qualidade dos programas, aliada ao espírito obrigatório, contrastam com a democracia.
Os favoráveis argumentam que o sistema permite que o eleitor tenha informações, mesmo que superficialmente, dos candidatos desconhecidos. Atores, jornalistas, cantores, ex-jogadores de futebol, “influencers” e celebridades de todos os calibres são “figurinhas carimbadas” junto à população. São rostos exibidos cotidianamente na mídia, o que torna a disputa eleitoral injusta.
“Tenho lado” nesta peleia das aparições na telinha e no rádio. Sempre que posso, assisto aos programas e aos comerciais eleitorais. Como eleitor, considero minha obrigação conhecer o máximo de pretendentes aos cargos de vereador e prefeito da minha cidade. Participar vai além da obrigação de votar. Inclui conhecer os candidatos. Em caso de eleição do nome escolhido, deve-se fiscalizar o mandato para cobrar eficiência, transparência, ética e coerência entre discurso e prática e moralidade.
É compreensível a ojeriza da maioria dos eleitores sobre a propaganda eleitoral. A atividade política gera uma quantidade gigantesca de manchetes negativas. Aos bons exemplos, é reservado o que em jornalismo se chama “rodapé de página”. Fica a impressão de que só existem vigaristas e maus elementos na política. Generalizar, como em todos os segmentos de atividade, é injusto e inverídico. Temos boas e más pessoas, inclusive na vida pública. A eleição municipal permite uma escolha mais qualificada. Nos pequenos municípios, a vida pregressa dos candidatos é de conhecimento público. Basta pesquisar, comparar e escolher com critérios, sem paixões ou favoritismo preestabelecido. Votar bem é contribuir para a nossa própria melhoria de vida.