A arte de lembrar
A escritora mineira Conceição Evaristo retrata, em suas obras, as vivências de mulheres negras. O romance “Ponciá Vicêncio”, publicado primeiramente em 2003, apresenta a memória como fio condutor das ações, tanto da protagonista como das demais personagens, pois são as lembranças de Ponciá que nos conduzem aos seus ancestrais, que agonizaram nas próprias terras, invadidas, colonizadas, exploradas. Em “Ponciá Vicêncio”, a continuidade do avô é garantida por sua neta, que carrega consigo as marcas da ancestralidade. Tanto a memória como o esquecimento são recortes plenamente identificáveis nas travessias e errâncias da menina pelas terras. A história descreve as andanças, as marcas, os sonhos e desencantos da protagonista desde a infância até a idade adulta e expõe a identidade de Ponciá herdada do avô, estabelecendo, assim, um diálogo entre o passado e o presente, entre as lembranças e a vivências, entre o real e o imaginário. Como seu avô Vicêncio, a jovem viveu partidas e vazios até chegar a uma inevitável ausência. Ponciá Vicêncio segura o leitor pela mão e arrasta-o para dentro de sua história pelo processo de lembrar.
Maria Alice Braga, Porto Alegre
Terreno perigoso
Na avenida Protásio Alves, 5009, há um terreno abandonado cujo portão foi arrombado e marginais tomaram conta do espaço. Ocorre que moradores da rua das Camélias e travessa Encruzilhada, que têm como fundo este terreno, ficam à mercê dos ladrões. Na calçada, pelo menos uma vez por semana, veículos descarregam toda sorte de lixo. Também neste local, existe um vegetal de grande porte, cujos galhos estão sobre a avenida e causam acidentes com caminhões baús de grande porte. Em sua base, escondem-se ladrões que assaltam os pedestres que por ali transitam de noite. Várias podas já foram solicitadas, mas até agora nada foi feito.
Heraldo Quesada, Porto Alegre