Do Leitor

Agosto, o mês do bom gosto, e Lima Barreto.

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Agosto, o mês do bom gosto

Valeu o resgate do mês de agosto feito por Valéria Surreaux neste jornal (CP, 8/8). Em todo o calendário, a imprevisibilidade dos fatos nos dá boas e más notícias. Mas, ao ver a beleza das folhas douradas dessa época, as árvores frutificando e, além disso, florescendo para se preparar para a primavera, a indumentária aconchegante das pessoas exigida pela oscilação da temperatura, diria que estamos no mês do bom gosto, que, além de tudo, me brindou com aniversários de pessoas maravilhosas na minha família e fora, bem como consagrando um dia para nossos pais, alicerces de nossas vidas.

Alice Maciel, Porto Alegre

Lima Barreto

Os textos de Lima Barreto seguem atuais. Escritos há mais de 100 anos, eles retratam um Rio de Janeiro em transformação acelerada pela industrialização e pelo avanço do capitalismo. Na virada dos séculos XIX e XX, quando o Rio ainda era Capital Federal, a cidade recebia investimentos para se tornar um "espaço da modernidade". O projeto era claro: apagar o passado para copiar a Paris europeia. Era o famoso "bota-abaixo". Prédios históricos, casarões e conventos coloniais foram demolidos em nome do progresso. Foi contra isso que Lima Barreto se levantou. Em crônicas, contos e romances, ele expôs o lado humano dessa modernização "pelo alto". Para ele, o Rio vivia um "entre-período": com um pé no passado arcaico e o outro tentando alcançar um futuro que já chegava cheio de contradições. O que torna Lima Barreto tão atual é justamente isso. Sua literatura vai além da ficção. Ela revela os gestos, os discursos e as intenções ocultas de quem detém o poder e decide o que é verdade. Ao ler Lima Barreto hoje, entendemos que a disputa entre tradição e modernidade, entre inclusão e exclusão, ainda define nossas cidades.

Ivete Zen, Porto Alegre