Algacir Costa
Algacir Costa foi um artista múltiplo. Atuava em diversos segmentos culturais e todos com maestria. Tive o privilégio de conhecê-lo no antigo Pulperia, verdadeiro templo do nativismo. Ele me pareceu um verdadeiro pajé, parece que tinha a cura na voz e no olhar. Depois fui conhecendo sua obra e sua família abençoada e a admiração só aumentou. Sempre fiquei impressionado com o fato de seus LPs apresentarem partituras nos encartes, coisa rara na nossa música. Seu livro “Décimas” é uma obra-prima. O poema “De Pai pra Filho” é um dos meus preferidos. Em 2027, completará três décadas de sua ausência entre nós.
Pedro Júnior Lemos da Fontoura, Bento Gonçalves, via e-mail
A Sofia de Pitágoras
Conta-se que, certa vez, um jovem seguidor, impressionado com os conhecimentos e a conduta de Pitágoras, dirigiu-lhe um elogio, chamando-o de sábio (sophós). O mestre, com humildade e precisão terminológica, respondeu que não era um sábio, mas apenas um “filósofo”, isto é, um “amigo da sabedoria” (philosophos). Esta anedota é considerada, segundo a tradição historiográfica, a “primeira ocorrência do termo filosofia” na Grécia Antiga, não como um saber absoluto, mas como uma atitude de busca, de amor e de aproximação em relação à verdade. A sabedoria, nesse sentido, não era algo que se possuía plenamente, mas algo que se perseguia com devoção e respeito. Entretanto, a resposta de Pitágoras não foi meramente retórica ou modesta; ela expressava um princípio fundamental de sua visão de mundo: a de que a verdade está nas estruturas profundas da realidade, sobretudo nas relações numéricas e harmônicas que governam o cosmos e, que o ser humano, ao conhecê-las, deve reconhecer os “limites da própria compreensão”.
Ita Arnold, Porto Alegre, via e-mail