Do Leitor

Antigas brincadeiras e perigo na via.

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Antigas brincadeiras

Saudade de um tempo em que a infância não cabia dentro de uma tela. Ela morava na rua. Saía de casa depois do almoço e só voltava quando o sol começava a se despedir atrás dos telhados. Não havia notificações, senhas nem baterias para carregar. Havia joelhos ralados, pés empoeirados e uma urgência enorme de viver. A corda riscava o ar em movimentos perfeitos enquanto as crianças contavam os pulos como quem conta estrelas. O bilboquê exigia paciência e teimosia, duas virtudes que a vida adulta ainda cobra de nós. As bolitas reluziam ao sol como pequenas luas coloridas guardadas nos bolsos. Na corrida do saco, ninguém corria bonito, corria feliz. E isso bastava. A amarelinha transformava um pedaço de chão em território mágico. Com um simples pedaço de giz, surgiam caminhos, desafios e sonhos. Não era apenas uma brincadeira. Era uma forma de aprender equilíbrio, perder, ganhar, esperar a vez e seguir em frente quando o pé errava a casa desenhada. As ruas eram cheias de vozes. Havia crianças em toda parte. Os vizinhos conheciam os nomes umas das outras. As tardes tinham cheiro de bergamota descascada, de grama recém-cortada e de liberdade. Talvez a maior riqueza dessas brincadeiras não estivesse nos brinquedos, mas no que elas construíam sem que ninguém percebesse: amizades, imaginação, coragem, convivência e memória. Hoje os tempos são outros. A tecnologia trouxe encantos que também merecem seu lugar. Mas basta ouvir alguém falar em corda, bolita, bilboquê, peão ou amarelinha para que uma porta invisível se abra dentro de nós. E, então, por alguns instantes, voltamos a ser aquela criança correndo pela rua, acreditando que a tarde era infinita e que a felicidade cabia inteira dentro de uma brincadeira.
Valéria Surreaux, Uruguaiana, via e-mail

Perigo na via

Cada vez mais está ficando frequente ciclistas trafegarem na faixa dos carros. Um exemplo é na avenida Ipiranga. Mês passado, três ciclistas trafegavam pela faixa da esquerda, sentido bairro-centro, literalmente obstruindo o trânsito. Sexta passada, outra ciclista, pela manhã, trafegava na faixa da direita, sentido centro-bairro. Admiro, respeito, já fui ciclista, mas realmente temo pela vida deles. Existe área adequada para a prática, e, mesmo que estivessem corretos, o que representa uma bicicleta perante um veículo?
Daniel Diehl, Porto Alegre, via e-mail