Do Leitor

Arquitetura hostil, o método e cabos e fios elétricos

Leitores do Correio do Povo opinam sobre o conteúdo publicado pelo jornal na edição impressa e plataformas digitais

Arquitetura hostil

É lamentável o que vem ocorrendo em Porto Alegre. A obra de revitalização do Centro Histórico apresenta uma arquitetura hostil para nós, pessoas cegas ou com baixa visão. Sou cego desde os 12 anos de idade e caminho autonomamente desde os 19 pelo meu bairro e pelo Centro Histórico, assim como muitos amigos com a mesma deficiência. Acompanhei várias mudanças e construções que ocorreram na cidade, não só para embelezar, mas principalmente para facilitar a mobilidade urbana. No entanto, os cegos e as pessoas com baixa visão foram esquecidos na atual revitalização. As pistas de rolamento foram deixadas nos mesmos níveis das calçadas para favorecer o cruzamento dos cadeirantes, que podem olhar para os lados antes de atravessar a rua. Todavia, os cegos, quando se dão conta já estão no meio da via. Atualmente os carros elétricos (silenciosos) têm ocasionado muitos sustos e atropelamentos. Também colocaram, para evitar ou limitar a via do passeio público, pequenos postes que (por muitas vezes), não são “visualizados” pelas bengalas dos cegos, causando um choque no baixo ventre. Verifica-se, também, que o piso tátil, que serve como guia para quem não enxerga, agora existe na rua Voluntários da Pátria (em direção ao camelódromo) apenas do lado direito, como se o cego não fosse utilizar do lado esquerdo. Há ainda cestos de lixo suspensos que facilitam a coleta – mas que as bengalas podem passar por baixo sem os detectar – e novos acidentes como batidas no rosto ou nos ombros tendem a ser habituais. O mais grave é o piso no mesmo nível nas travessias de corredores onde ficam os pontos de ônibus. Estes são os responsáveis pelos maiores riscos à nossa integridade física. Nesta senda, devemos dar voz às entidades já existentes que possuem experiência atuando com essa parte da população e por conseguinte conhecem as suas reais demandas para que as tais renovações sejam benéficas realmente a toda população porto-alegrense.
Roberto Luiz Veiga Oliveira, Porto Alegre, via e-mail

O método

Em meio a polarização maniqueísta na qual as políticas brasileira e mundial se encontram disseminadas nas mídias tradicionais e plataformas digitais, conforme são consideradas em sua relevância e a profundidade os temas abordados, podemos identificar em que lado dos polos se situam os emissores assumidos ou dissimulados. Quando o fato vem de encontro aos seus ideais, perspectivas e interesses, o emissor lhes dá um caráter informativo, neutro, sem fazer qualquer avaliação ética, moral e legal que possa atingir ou desgastar seus protegidos. Em contrapartida, quanto envolve seus desafetos, sejam eles justos ou injustos, verdadeiros ou mentirosos, reais, imaginários e/ou manipulados, cada qual veste a toga da parcialidade e apontam, uníssono, seus dedos acusatórios aos desafetos que nutrem em comum, o método comum a ambos vem à tona e pode ser percebido pelos olhos e ouvidos dos receptores mais atentos.
José Carlos Morsch, Porto Alegre, via e-mail

Cabos e fios elétricos

Se existe roubo de cabos e fios elétricos é porque há alguém que os compra. Ainda que escancaradamente óbvio, nenhuma administração da Capital tomou medidas efetivas contra isso até agora. A repressão ao furto é inexistente, ou inócua e sem resultados, então focar naqueles que compram esse furto é a saída, é claro. Existe uma suposta conivência com a situação, pois a fiscalização dos compradores de cobre é pura ficção.
Lauro Becker, Porto Alegre, via e-mail