Do Leitor

Banheiros e agosto, o mal falado.

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Banheiros

Evito banheiros públicos e só fui, no último sábado, no da Praça Rui Barbosa, na Capital, porque realmente precisei. Para minha surpresa, o lugar estava limpo e cheiroso, como nunca tinha visto. Espero que esse seja um padrão para toda a cidade, que segue também necessitando mais desses serviços pelo Centro.
Ronaldo Botelho, Porto Alegre

Agosto, o mal falado

Eu nunca soube muito bem o que fazer com agosto. Ele chega carregando uma fama difícil: mês do desgosto, mês do azar, mês em que até o calendário parece andar com um pé atrás. Confesso que, quando ele aparece, fico atenta. Recolho minhas certezas, cuido dos meus planos e penso duas vezes antes de desafiar o destino. Afinal, um mês com essa reputação merece alguma cautela. Mas talvez estejamos sendo injustos com agosto. Talvez ele apenas tenha recebido a culpa por uma verdade que pertence a todos os meses: a vida é imprevisível. Há ventos que derrubam folhas, mas também anunciam mudanças. Hoje eu sinto o agosto como um velho conhecido que chega bagunçando um pouco a casa, mexendo nas gavetas da memória e encontrando aquilo que insistimos em guardar. Ele traz o frio que ainda resiste, mas já carrega no bolso a promessa da primavera. Agosto tem cheiro de estância, de terra molhada, de lareira e de infância, essa teimosa moradora de nós, que nunca aceita ir embora. No fim, faço as pazes com agosto. Talvez ele não seja o mês do cachorro louco, mas o mês dos humanos inquietos — nós, que às vezes corremos atrás do próprio rabo e, mesmo assim, seguimos procurando um pedaço de sol. Afinal, até os meses de má fama merecem uma segunda chance.
Valéria Surreaux, Uruguaiana