Do Leitor

Campereadas e família

Leitores do Correio do Povo opinam sobre o conteúdo publicado pelo jornal na edição impressa e plataformas digitais.

Sobre o novo layout das Campereadas

Muito que bem, prezado vaqueano Paulo Mendes, ponteando, ou na culatra ou pelos flancos sempre tropeando causos macanudos e de todos os pelos. Se não te tenho relinchado com frequência não quer dizer que tenha deixado, de assobiando, camperear os teus causos. O Correio do Povo, no respeito aos seus leitores, reconhece o valor das tuas tropeadas. Um abraço.

Olivio Dutra, Porto Alegre

Álbum de família

Há mesas que são testemunhas da vida. Guardam a comida preparada com cuidado, as vozes que se cruzam, os silêncios, os que chegam e os que já não estão. São fotografias que nunca foram tiradas, mas ficaram guardadas na memória. Houve um tempo em que os almoços de família começavam muito antes da chegada dos convidados. Começavam na cozinha, no cheiro dos temperos, no movimento das mulheres preparando receitas que guardavam segredos de gerações. As crianças corriam pela casa, livres e barulhentas, sem saber que ali estavam aprendendo a própria história. Os homens ocupavam seus lugares de sempre, entre risadas, histórias repetidas e certezas ditas em voz alta. Os mais velhos observavam em silêncio, carregando no olhar a memória dos que vieram antes. Sempre havia um tio que chegava de longe, trazendo novidades e aumentando a alegria da mesa. E havia também as ausências: aqueles que já não sentavam conosco, mas continuavam presentes nas lembranças, nos gestos e nas histórias contadas. Entre um prato e outro, surgiam os planos, os sonhos e as promessas do futuro. Por algumas horas, o tempo parecia diminuir o passo e devolver à família uma antiga intimidade. Hoje as mesas podem estar menores e as distâncias maiores, mas esses rituais antigos permanecem dentro de nós. Basta um aroma, uma fotografia ou uma lembrança para que todos voltem a se sentar à mesma mesa, aquela em que o tempo nunca deixou de passar.

Valéria Surreaux, Uruguaiana