Do Leitor

Cartas do Pampa, CP 130 anos, coleta seletiva e Populismos

Leitores do Correio do Povo opinam sobre o conteúdo publicado pelo jornal na edição impressa e plataformas digitais.

Cartas do Pampa

Era final do século XIX, quando a Brazilian Great Southern (BGS) construía a Estrada de Ferro Barra do Quaraí, a bela e delicada May Frances veio visitar o irmão, engenheiro da estrada, que, quase acampado, vivia em um rancho plantado no meio dessas plagas. As gentes sofridas que nasceram e criaram-se por essas planícies também foram impactadas pela moça culta. May passou a escrever cartas e essas mesmas cartas resultaram no livro “Cartas de uma jovem inglesa na fronteira de Uruguaiana”. Nossa terra, que parece até hoje com outra pátria, tem um sotaque mesclado com o castelhano, fazendo com que gente de nenhum outro lugar entenda nosso quase dialeto. Podemos imaginar a forma como aquela inglesa foi atingida. O livro imortalizou seus vestígios e suas fantásticas impressões.
Valéria Surreaux, Uruguaiana, via e-mail

CP 130 anos

Todas as tardes, em torno das 14h, lá íamos nós, os netos “maiores”, no alto de nossos nove e dez anos, cumprir o mandado, com grande responsabilidade: ir até a venda próxima buscar para o Vô Agenor o esperado exemplar do Correio do Povo, que chegava à pequena cidade do Interior, via estação ferroviária, e, depois, pelo ônibus que vinha de Cruz Alta. E assim foi, por muito tempo. O CP, em formato standart, se esparramava, soberano, pela mesa da cozinha. Sequer conseguíamos dobrá-lo, mas, sabíamos, era anunciador de notícias que revelaram, por décadas a fio, o mundo existente para além da pequena aldeia. Crescemos sob essa base: informação confiável é importante e nos faz pessoas mais críticas e cidadãos mais responsáveis. Mas, para isso, é preciso democracia forte, imprensa livre e a responsabilidade da palavra empenhada pelo “fio do bigode” de nossos governantes.
Marco Mello, Porto Alegre, via e-mail

Coleta seletiva

A ideia da coleta seletiva de lixo é muito boa e vem se mostrando extremamente útil, mas, para dar um resultado ainda mais palpável, precisa que a população participe dos esforços de reaproveitamento dos excedentes. Esse processo ajuda pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, retira da natureza itens poluentes e ainda preserva as vias públicas e as bocas de lobo limpas, contribuindo para que se evitem inundações em áreas urbanas por ocasião de grandes precipitações pluviais. Este é um caso em que sociedade e o poder público devem se unir para atingir objetivos comuns. Não podemos nos esquecer de que o planeta é a nossa casa e ele é único.
Cristiano Campos Nunes, Porto Alegre, via e-mail

Populismos

Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria desde 2010, é um exemplo de populista autoritário, conhecido pela frase “Um país não liberal ainda pode ser democrático”. Esse tipo de populismo leva líderes a acreditar que a morte é a solução para acalmar mercados e reduzir desigualdades. Nesse cenário, vidas humanas tornam-se descartáveis, enquanto a morte e o medo geram lucro. Surge, assim, a “necropolítica”. Ao contrário do populismo de Getúlio Vargas, que buscava fortalecer as instituições públicas, o populismo autoritário do século XXI é crítico a elas e acredita que o setor privado deve governar. Para Achille Mbembe, a “necropolítica” é o controle do Estado sobre quem vive e quem morre. E você, leitor, qual é a importância da sua vida diante desse cenário?
Ângelo Curcio, Porto Alegre, via e-mail