Casarões antigos
Porto Alegre é uma metrópole que “ainda” tem muitos casarões antigos de pé, mesmo que abandonados ou deteriorados, em muitos casos. Cidade Baixa, Moinhos de Vento, Petrópolis, Floresta, Partenon, Quarto Distrito e Alto da Bronze são alguns pontos onde vale a pena dar uma caminhada atenta, tirando os olhos do celular e levando-os a apreciar a arquitetura de um outro tempo. Infelizmente, poucos desses imóveis, tão reproduzidos em fotos nas redes sociais, recebem a devida preservação e quase toda semana um deles vai abaixo. No lugar do patrimônio histórico, mesmo que não oficializado, das memórias e de uma beleza que poderia coexistir com a modernidade faminta por espaços, sobem os tapumes. É realmente uma lástima.
Marcio de Almeida Bueno, Porto Alegre, via e-mail
O lugar simbólico do ser
A natureza de cada cidadão é tecida cultural e socialmente. A inclusão é fundamental na “construção” do ser. Mas em uma sociedade na qual o moderno se impõe e exclui, a aparência atua como realidade determinante no juízo que se faz de um indivíduo, tornando-o vítima do olhar superficial e racista que transita por espaços de tensão histórico-cultural e racial em que a liberdade de viver se encontra subordinada a ideias fixas sobre a cor da pele, sobre as diferenças culturais e sobre as desigualdades socioeconômicas. Esse contexto retrata um Brasil de assujeitados e lesados por sua condição subalterna em uma época marcada pela sociodinâmica da estigmatização que fixa rótulos de inferioridade aos indivíduos considerados diferentes. Portanto, o olhar racista é irmão da lógica da desqualificação e está a serviço do discurso dos dominantes, representado pelas elites interessadas somente no poder.
Ivete Zen, Porto Alegre, via e-mail