Do Leitor

Centenário

Quando brindarmos o centenário de Guaíba, em 14 de outubro, estaremos brindando a vida de cada um que aqui viveu, trabalhou e contribuiu para esse aniversário. Sempre fomos uma cidade acolhedora, bonita, com flora e fauna fartas e paisagens lindas. Fomos descobrindo devagarzinho (e continuamos descobrindo) nossos cantos e recantos, nossas potencialidades. Passamos de uma vocação econômica rural, com criação de gado e charqueadas, para um viés fabril, marcadamente com a instalação da fábrica de celulose Borregaard na cidade, nos anos 70. Hoje, vemos esta vocação fabril em plena potência, sediando muitas empresas, algumas de grande destaque na economia nacional, que para cá trazem sua expertise e pessoas que agregam conhecimento, gerando prosperidade e relevância no panorama econômico. Também na questão do turismo, o município marca o início da Região Costa Doce do Estado e está investindo e trabalhando para atrair mais visitantes, divulgando suas belezas e sua história, intimamente ligada à Revolução Farroupilha. Guaíba comemora o centenário de uma gente corajosa, trabalhadora, empreendedora e alegre, que tem orgulho em exercer seu papel de cidadão e contribuir para o crescimento da sua comunidade.
Daciara Collor, Guaíba, via e-mail

Designação

Agora inventam psicologia para tudo. A palavra “trauma” passou a servir tanto para guerras quanto para um jantar constrangedor. Não se pode mais ser temperamental: é preciso ser “diagnosticável”. Não se pode ser tímido, é necessário estar “no espectro”. A linguagem terapêutica, que nasceu para aliviar sofrimento real, virou ferramenta de identidade. Há ganhos inegáveis: falar sobre saúde mental deixou de ser tabu. Mas há também um efeito colateral curioso — a substituição do autoconhecimento pelo rótulo. Nomear não é compreender. Classificar não é amadurecer. A vida comum, com suas frustrações ordinárias, está sendo tratada como patologia.
Valéria Surreaux, Uruguaiana, via e-mail