Código
Qualquer secretário de Estado ou burocrata do aparelho administrativo que recebesse de Borges de Medeiros alguma ordem para nomeação de pessoas para o serviço público deveria atentar para os “ii” no texto. Se estivessem sem o pingo, era para desconversar e não atender, código do chefe para despachar o chato, mantendo porém o voto. Enquanto aguardava sua audiência com o secretário de Obras e Viação, o filho de um chefe político republicano de Santa Maria matou o tempo lendo e relendo o bilhete de Borges que ordenava sua pronta nomeação. Para distrair-se, colocou os pontos nos “ii”. Horas mais tarde, já estava nomeado subchefe da estação de trens de Basílio, para desespero do já então ex-titular do cargo e a eterna gratidão do pai.
Paulo de Tarso Riccordi, Porto Alegre, via redes sociais
Delação
Dentro da previsão, situação visível a partir da primeira prisão acerca do gigantesco escândalo, claro que, com o tramitar da investigação policial mais afirmada, o dono do Banco Master partiria para invocação do Instituto Jurídico da colaboração premiada. Não assumiria sozinho. E mais, através da delação, obter benefícios legalmente previstos: perdão judicial, no caso impossível, redução ou substituição de pena. Evidente que não basta querer, imprescindíveis provas. Formatada a proposta, amplamente noticiada como em vias de acontecer, precisa ser ampla e consistente. Não optando por comprometer alguém e aliviar outros. Caso contrário, o ministro André Mendonça, agora relator do processo, não a homologará. Curioso, a partir de notícias, se reais, que estaria pretendendo estender, como se isso fosse possível, a delação a um cunhado. Cada réu, em realidade, confessar e buscar benesse. Que tenhamos, enquanto sociedade, desfecho salutar.
Jorge Lisbôa Goelzer, Erechim, via e-mail