Contos de fadas
Nossa infância foi povoada de contos de fada, fábulas que nos fascinavam e assustavam, nas quais bruxas, princesas, lobos e príncipes escondiam lições sobre a vida. Todos lembramos do lobo disfarçado de vovozinha, da madrasta invejosa de Branca de Neve e de Cinderela, à espera de um príncipe que transformasse seu destino. Por trás do encantamento, essas narrativas camuflavam ensinamentos sobre medo, inveja, abandono, aparências e esperança. A psicologia talvez reconheça nesses personagens representações simbólicas de conflitos humanos que começamos a compreender na infância. O lobo alertava para os perigos disfarçados de familiaridade; a madrasta revelava a face sombria da inveja; e os heróis nos ensinavam que podemos descobrir forças diante das adversidades. Crescemos, mas será que deixamos essas histórias para trás? Ainda esperamos príncipes que nos salvem, finais perfeitos e pessoas incapazes de nos decepcionar. Esquecemos que, na vida real, os lobos não anunciam suas intenções e nem toda bondade recebe recompensa. Talvez a grande lição dos contos de fada não seja a promessa de um “felizes para sempre”, mas a preparação para enfrentar os medos e as contradições da existência. Amadurecer também é aprender a reconhecer o lobo quando ele veste a roupa da vovozinha. E talvez os finais felizes não tenham sido inventados para nos convencer de que tudo acaba bem, mas para nos lembrar de que, mesmo quando a história desanda, ainda podemos desejar outro desfecho. E isso, convenhamos, até hoje é uma espécie de magia.
Valéria Surreaux, Uruguaiana
Aposta
Os vereadores Jorge Goulart, do PDS, e Werner Becker, do PMDB, discordaram sobre qualquer coisa. Irônico, Goulart desafia Werner para uma aposta: “Se eu perder, te pago um copo de leite”. “Topo”, anuncia o peemedebista. “Se eu perder, te dou um livro.”
Paulo de Tarso Riccordi, Porto Alegre