Do Leitor

Do brilho à escuridão, peculiaridades e saudades do 10%

Leitores do Correio do Povo opinam sobre o conteúdo publicado pelo jornal na edição impressa e plataformas digitais

Do brilho à escuridão

Saudades dos tempos em que maio era festivo. Atualmente, passou a marcar grandes tragédias. Há um ano, registrou-se a maior enchente do RS, com mortes de pessoas e de animais e milhares de gaúchos perderam tudo. Pior, passado um ano, 17.500 famílias ainda esperam pela casinha prometida, enquanto os governos federal e estadual só entregaram 10% do prometido. Aos prejudicados e enganados pelos poderosos, a mais profunda solidariedade. Solidariedade, também, aos dez milhões de aposentados ou pensionistas, que foram covardemente roubados em R$ seis bilhões por agentes do governo federal. Pior, os criminosos estão impunes e as vítimas receberam a promessa de que serão ressarcidas até o final do ano. Lamento, mas aposto todas as fichas que esta promessa não será cumprida. Me sinto como Chico Buarque registrou em “Roda Viva”: ”A gente se sente como quem partiu ou morreu”. E, parafraseando o escritor, diria que “maio é o mês que não terminou”.
Sérgio Becker, Porto Alegre, via e-mail

Peculiaridades

Há algo no escândalo do INSS que diz respeito ao assunto e é por isso que concordo com o leitor Gilberto Jasper (CP, 4/6), quando ele diz, e faço minhas as suas palavras, que esse escândalo envolvendo o Instituto Nacional de Seguridade Social tem peculiaridades inovadoras. O crime vinha sendo cometido havia anos sem qualquer ação efetiva de autoridades e órgãos de fiscalização de vários governos. E ainda nenhuma prisão foi efetuada pela Polícia Federal. Estou aposentado há mais de 12 anos e lembro ter sido contatado, antes mesmo de saber que já estava aposentado, mas no período, por alguém que se dizia de determinada financeira para que eu aplicasse e até mudasse de banco. Desliguei o celular. Pois a partir daí, eu e milhares de pessoas, ao longo desses anos, somos importunados quase que diariamente com essas tentativas de golpe contra as nossas aposentadorias.
Alberto W. da Silva, Porto Alegre, via e-mail

Saudades do 10%

Pois é, primeiro pagávamos corretamente os serviços prestados. Depois, iniciou-se a onda dos 10% para qualquer trabalho, por exemplo, de pintura, limpeza, dedetização e aí vai. Nas reuniões de condomínio eram escolhidos os trabalhos mais em conta, mas com o 10% já embutido. Passou-se o tempo e aumentou para até mais de 100% o percentual desses serviços. Perdi a conta dos valores. E aconteceu o mesmo com os escândalos e golpes financeiros. Primeiro causava impacto um escândalo de R$ 500, R$ 600 mil. Depois passaram para os milhões e agora, sem nenhuma cerimônia são aplicados golpes de bilhões de reais. Alguns golpistas são presos, mas jamais será devolvida a quantia que foi desviada, para citar um exemplo atual, do INSS. A devolução do que foi furtado certamente será um percentual baixo, aqueles 10% que pagávamos de bom grado para apressar qualquer conserto.
Mário de Souza P. Lima, Porto Alegre, via e-mail