Dyonélio Machado
Ler o autor gaúcho Dyonélio Machado é encarar a angústia que atravessa sujeitos esmagados por um universo capitalista em que viver não basta – é preciso ter, pagar. É autor das obras “Os ratos”, “O louco do Cati”, “Memórias de um pobre homem” e “Fada”. A principal obra, considerada uma obra-prima, é “Os ratos”. Indico começar a leitura das obras de Dyonélio por ela, não apenas por ser a mais conhecida e consagrada, mas porque expõe, sem alívio, a engrenagem cruel que reduz tudo ao ter. A narrativa é intensa, quase sufocante: o personagem Naziazeno percorre os espaços de uma Porto Alegre urbana dos anos 30 numa busca doentia por dinheiro para pagar o leiteiro. A história é narrada em terceira pessoa, com discurso direto mesclado ao indireto livre, recurso que nos leva para dentro da mente fragmentada do personagem. Não se trata apenas de uma dívida: trata-se do desgaste psicológico de quem vive o imediatismo da necessidade. A narrativa se passa em 24 horas e assume o ritmo de um thriller psicológico, com vinte e oito capítulos curtos, em que o personagem tenta conseguir os 53 mil-réis que deve. Mas o chefe, os amigos e os companheiros de trabalho se negam. E é nesse ponto que o romance desmascara as relações humanas e o desespero cresce na medida em que a indiferença domina. O filho pode ficar sem leite – e ninguém se move. E, afinal, quem são os ratos? Lê e me diz.
Marisa Piedras, Porto Alegre, via e-mail
Prevenção
A palavra prevenção deriva do latim praevenire, que significa "chegar antes" ou "antecipar" (formada pela junção de prae, "antes", e venire, "vir"). Prever alguma coisa assume ares determinantes quando envolve a aferição de riscos, a exemplo de tragédias climáticas. Mesmo no caso de não se poder evitá-las, prevenir é importante ao medir suas consequências e procurar mitigá-las. Esse olhar preventivo precisa fazer parte do nosso cotidiano.
Nilse Centenaro, Porto Alegre, via e-mail