Escritora premiada
Ler a escritora gaúcha Natalia Borges Polesso é lembrar de excertos de palavras doloridas e intensas, como “Lembrei. Lembrei. Lembrei de algo que não era mais meu. Lembrei do gosto da tua boca depois de comer os morangos mofados”. Retiradas do belíssimo livro de contos com um nome tão singular quanto suas próprias narrativas, "Recortes para Álbum de Fotografia sem Gente", obra pela qual indico começar a leitura da autora. Natalia Borges Polesso é escritora, pesquisadora e tradutora. Tem nove livros publicados. Dentre eles, "Amora" (2015), vencedor do Prêmio Jabuti; "Controle" (2019), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura; "Corpos Secos" (2020), escrito em parceria com Luisa Geisler, Marcelo Ferroni e Samir Machado de Machado, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Romance de Entretenimento; e "Extinção das Abelhas" (2021), finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura. A "Extinção das Abelhas" é uma narrativa distópica que apresenta um mundo em colapso. Trata-se de uma história dolorida, dividida entre o universo de Regina e o de vários personagens tão destruídos quanto o próprio mundo por onde transitam. É um livro imperdível, no qual a autora caminha entre as pessoas — você, eu, ela, ele — e nos seduz já em suas primeiras palavras: “As pessoas vão embora, e isso é uma realidade. Sua mãe vai embora, seu pai vai embora, sua namorada chata vai embora”.
Marisa Piedras, Porto Alegre, via e-mail
Campereadas
Belo texto, seu Paulo Mendes (CP, 21/6), repleto de imagens que reavivam imagens minhas. Nossas vidas têm uns paralelismos incríveis. O grande amigo do teu pai era um italiano; o do meu, também italiano, era um basco/espanhol. Tem a salada de maionese, o primeiro título do Inter, também numa TV eivada de chuvisco e conectada a uma bateria de trator. Boa maneira para se começar um sábado.
Carlos Bortolás Cavalcante, Brasília (DF), via e-mail