Essência
A maior abdução talvez não venha de algum outro planeta. Enquanto muitos discutem a possível aparição de um objeto voador não identificado (OVNI) durante o jogo da Copa do Mundo, talvez a verdadeira abdução já tenha acontecido há muito tempo. Não por seres de outro planeta, mas pela pressa, pelo ego, pela necessidade de aprovação e pela ilusão das redes sociais. Fomos, aos poucos, nos afastando da nossa essência. Trocamos o olhar nos olhos pelas telas, a presença pelos likes, a empatia pela competição e o ser pelo parecer. Vivemos conectados ao mundo virtual, mas cada vez mais desconectados de nós mesmos e das pessoas que amamos. Talvez o maior mistério não seja descobrir se existem extraterrestres, mas entender em que momento deixamos de ser verdadeiramente humanos. Ainda há tempo de voltar. Afinal, a essência nunca desaparece — ela apenas espera para ser reencontrada.
Gô Dillenburg, Guaíba, via e-mail
Mobilidade às avessas
Ei, vivente, se você chegar a Porto Alegre e for do tipo que sai “em cima do laço” para os compromissos, prepare-se para mudar por completo. Se você anda de carro ou de ônibus, terá de lidar com a (i)mobilidade urbana. Há horas fixas — e muitas outras repentinas — em que o trânsito para na cidade. Planejar-se com quarenta minutos de antecedência é ingenuidade. Você precisa de mais, muito mais, tempo. Precisa de paciência e muita motivação para não desistir no meio do caminho. O ideal seria se os caminhos se multiplicassem na mesma proporção que os automóveis. Mas a conta não fecha. O que resta? Melhorar o condicionamento físico, ir a pé ou de bicicleta e, lamentavelmente, cuidar-se para não ser atropelado.
Alina Souza, Porto Alegre, via e-mail