Do Leitor

Gentileza; rito e mérito.

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Gentileza no trânsito

O trânsito é um espaço compartilhado em que pequenas atitudes podem fazer uma grande diferença. A frase parece um clichê, mas quem circula por Porto Alegre, e isso inclui o meu caso, de eterno pedestre, sabe que dar passagem, respeitar a vez do outro, sinalizar uma mudança de direção, reduzir a velocidade diante de uma situação de risco e evitar buzinas ou discussões são coisas simples. Gentilezas que contribuem para uma convivência mais segura. Já vi gente descendo a mão na buzina porque, logo adiante, havia uma ambulância abrindo passagem ou uma pessoa idosa desembarcando de um táxi. Como se alguém estivesse livre de precisar de ambulância ou mesmo de perder agilidade com o avanço da idade. Há cruzamentos muito complicados na Capital e aqui cito a esquina da Cristóvão Colombo com a rua Portugal. Regularmente, há veículos parados nas quatro posições e passar por ali é sempre um temor. Conforme o horário, o bom senso dá lugar à distopia. Falta gentileza.
Marcio de Almeida Bueno, Porto Alegre

Rito e mérito

Para o filósofo alemão Immanuel Kant, a moral vem da razão, e os indivíduos estruturam suas convicções através dos “óculos cor-de-rosa” pelos quais enxergam o mundo, conforme o tempo, o lugar, as circunstâncias e os valores que introjetaram. No direito greco-romano, a razão se expressa em suas leis, costumes, jurisprudência, doutrina, analogia, princípios gerais e na observância dos ritos estabelecidos para a promoção da Justiça. A indecisão saída do julgamento ocorrido no STF tem origem na confusão em relação aos objetos a serem julgados e na imprevisibilidade do rito, inviabilizando a discussão do mérito sobre as condutas dos ministros Moraes e Mendonça, distintas entre si, mas ambas condenáveis.
José Carlos Morsch, Porto Alegre