Do Leitor

Lacuna e temática rural.

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Lacuna

As mudanças operadas na população brasileira em termos do avanço das expectativas de vida impactam diversas áreas, como lazer, trabalho, sexualidade e previdência. Mas, para além disso, tais mudanças nos trazem também bons elementos para repensarmos a ideia que temos sobre envelhecimento e sobre as necessidades dos chamados idosos. Nessas eleições que se encerraram no domingo, por exemplo, um dos grandes protagonistas foi o segmento de pessoas acima de 60 anos. Não lembro de ter visto em uma eleição anterior tanta sensibilidade, energia e consciência por parte desse público, como dessa vez. Realmente, temos muito que aprender sobre o respeito às potencialidades e à cidadania do outro, especialmente daqueles que, comumente, são desconsiderados como sujeitos que querem influir no destino próprio, no seu país e no mundo.
Ronaldo Botelho, Porto Alegre

Temática rural

O autor Graciliano Ramos é considerado um dos maiores escritores da geração de 1930, estando inserido nos romances de temática rural. Ele mostra, em suas narrativas, um universo rural em declínio ou já desaparecendo e, ao mesmo tempo, não demonstra saudosismo por essa derrocada. Mostra, em suas obras, uma análise psicológica e social e, do mesmo modo, realiza uma síntese entre o indivíduo e o ambiente, como, por exemplo, em sua obra magistral “Vidas Secas”. O estilo de Graciliano Ramos é mostrar um universo seco, em um estilo sufocante e despojado, sem qualquer lirismo, em uma escrita feita de frases curtas, poucos adjetivos e advérbios. O escritor parece condensar o máximo no mínimo, jamais fala do cenário infernal da seca, mas está ali presente com termos como: “o voo negro dos corvos, a planície avermelhada”. O autor prefere escrever na primeira pessoa, como aparecem nos livros “Caetés”, “Angústia” e “São Bernardo”. Esses livros possuem um narrador-protagonista. Indico começar a leitura pela obra “Vidas Secas” que é um dos poucos romances escritos na terceira pessoa, mas, para o autor não se afastar muito da história triste de Fabiano e Sinhá Vitória, ele utiliza o discurso indireto livre. Arrisque-se, conheça a trajetória dos personagens pelo sertão nordestino.
Marisa Piedras, Porto Alegre