Lazer
Assim como o respeito ao descanso dos trabalhadores é um direito básico, o acesso ao lazer na convivência humana saudável e construtiva também deveria ser visto como um valor e uma prerrogativa de dignidade, que ainda é negada nessa sociedade consumista em que estamos mergulhados. Sob essa ótica, o evento De Bar em Bar, que uniu algumas centenas de jovens em caminhada pelas ruas do centro de Porto Alegre, no último dia 18, é um extravasamento da necessidade da convivência e do entrosamento humano, que se acentua no ápice da vida, e que essa rotina consumista do dorme-trabalha-consome-paga contas está longe de satisfazer. Claro que tal iniciativa expressa um individualismo burguês, mas também uma condição de vazio, em que esses indivíduos se reinventam sob um estado que lhes nega o lazer, a realização e a vida.
Ronaldo Botelho, Porto Alegre
Herança educacional
Aqueles que tiveram bisavós, avós e pais com nível superior de escolaridade, estamos falando de um processo construído ao longo de gerações, tendem, com maior frequência, a ocupar o topo da pirâmide social. O estímulo ao pensamento crítico, o hábito da leitura e a familiaridade com o ambiente acadêmico são transmitidos desde a infância, tornando a trajetória rumo ao ensino superior um processo natural de continuidade. Além disso, pais, avós e bisavós com formação superior acumulam experiências profissionais e redes de relacionamento que podem abrir portas para estágios, empregos e orientação de carreira. O processo educacional é lento, mas cumulativo. Assim, as barreiras socioculturais tendem a ser menores. Essa é a verdadeira riqueza que vem do berço.
Marcus Aurelio de Carvalho, Santos (SP)