Leitura
Os olhos ávidos de uma criança em cima da leitura resgatam em mim uma parte da infância que me sustenta, alicerça-me, como pilares de uma construção. E convoca-me a viver, ainda que tantos dias doam. A leitura acolhe, abraça a dor e as marcas de enfrentamento. Não é escapar da realidade, é munir-me de outras realidades possíveis. Quando criança, as revistas em quadrinhos alimentaram o meu desejo pelas histórias, pelo mundo lá fora, por essa profusa costura entre imagens e palavras. Dali, retirei sonhos. Descobri sonhos. Enquanto o muro de casa parecia cada vez mais alto devido ao medo que perambulava em nosso ambiente, encontrei — inicialmente nos gibis, depois nos livros — um escape para ares mais brandos, para tecidos mais leves. Passei a ver que todo o resto era tão grande, e aquele muro de casa (antes, uma barreira intransponível) tornou-se, inclusive, catalisador para eu ir mais adiante. Adiante nas páginas. Quis tocar a sutileza. Se hoje eu paro e me pergunto quem na verdade sou, vejo-me diante desse emaranhado de grafias, tentativas de breves eternidades. Não alcanço conclusões, apenas o folhear de uma vastidão que busca a soltura das pesadas margens.
Alina Souza, Porto Alegre, via redes sociais
Extinção
A falta de educação, humildade e a agressividade do ser humano, mais a excessiva e quase ridícula necessidade de beleza física e da ostentação acintosa de bens materiais, levam a crer que se está achando que a raça humana é algo muito especial no universo e não uma raça inferior que mata crianças, mulheres, idosos, deficientes, joga mísseis em creches e hospitais, rouba dos próprios pais, mata por um celular, dá golpes financeiros em pessoas humildes, etc. e etc. Quem sabe não somos só uma raça inferior que não deu certo e está em fase de extinção?
João Macedo, Itaqui, via e-mail