Do Leitor

Mais uma vida policial que se vai

Por Gustavo de Mattos Brentano, delegado da Polícia Civil

Quando se estuda a disciplina de Direitos Humanos nos bancos acadêmicos, a primeira lição aprendida é que são seus titulares todo e qualquer ser humano, sem qualquer distinção, destinando-se, assim, a proteger, garantir e respeitar o ser humano. Através dos direitos humanos, tutelam-se os bens considerados imprescindíveis para propiciar uma vida ou existência decente, sendo sua existência atrelada, portanto, à dignidade da pessoa humana.

Pois bem. No último dia 19 de junho de 2024, em Caxias do Sul, na Serra gaúcha, que ainda se recupera de uma profunda tragédia climática, infelizmente, tivemos mais um episódio extremamente triste nesta luta diária de combate ao crime. Um protetor da sociedade, que jurou atuar em sua defesa, não importando o perigo a que viesse se submeter, tombou diante de indivíduos inescrupulosos que, visando roubar um carro-forte e utilizando-se de forte armamento, inclusive com falsos uniformes e viaturas policiais, ceifaram a vida deste nobre policial militar.

Quando um crime ocorre, quando os bens mais importantes da vida em sociedade, tais como patrimônio e vida, são violados, quando o caos está instaurado, a quem a sociedade recorre? Aos policiais, agentes da segurança pública que seguem o lema de servir e proteger uma sociedade que, nem sempre, reconhece os serviços por eles prestados. Mas quem tutela e clama pelos direitos humanos do 2° sargento Fabiano Oliveira e de seus colegas de farda?

Deixo aqui neste texto as minhas mais sinceras condolências à família, amigos e colegas deste policial militar, que teve sua existência interrompida de forma trágica e prematura, deixando saudades eternas aos seus. Que o direito fundamental à vida seja reconhecido e resguardado a todos. E que este sentimento de pesar pela perda brutal de alguém que dedicou sua vida a proteger o cidadão seja não apenas meu, de seus familiares e amigos, mas de toda a sociedade.