Mão de obra
Diversos segmentos do país reclamam da falta de mão de obra e relacionam esse fenômeno diretamente aos benefícios dados pelo governo federal, corrente essa que ganha força pelas redes sociais e eco até mesmo na parcela mais pobre da população brasileira, mas na verdade o fenômeno é outro, o perfil das pessoas é que mudou. Antigamente, as pessoas se empregavam e procuravam fazer carreira nas empresas. Hoje está tudo diferente e os salários do mercado estão nivelados. O que ocorre é que as pessoas estão escolhendo as empresas com os melhores benefícios. A mão de obra qualificada existe, mas tem preço.
Paulo Cesar Gonçalves, Guaíba, via e-mail
Ciclos
Hanna levantou cedo, preparou o café e sentou no sofá da sala. Estava exausta, passara noites sem dormir, não conseguia mais pensar em nada. Ela já decidira a mudança definitiva de país, mas a certeza já não era mais certeza. No entanto, a partida era iminente, era preciso escolher qual história colocar nas malas. Na mala azul, Hanna arrumou a infância, mas não cabia tudo, teve de deixar as tardes de verão na casa dos avós, quando os banhos de mangueira com os primos eram o fascínio da meninada; também o bolo de chocolate recém-saído do forno e o suco de uva, ainda quente, que a avó esfriava com muito gelo. Nas tardes de inverno, descobria, no sótão, caixas que se tornavam baús repletos de tesouros secretos. Lá, os brinquedos eram inventados na hora. Na casa dos avós, ela encontrava os resquícios da infância dos pais e construía o início da sua vida.
Maria Alice Braga, P. Alegre, via e-mail
Proteção real
Mesmo com a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, a violência contra as mulheres continua. Muitas vítimas seguem desprotegidas. Não basta ter leis no papel. É preciso que funcionem na prática. Fiscalização, punição rápida e proteção real precisam ser prioridade.
Marcelo Fortunato, Itaqui, via e-mail